O Banco Central Europeu decidiu hoje manter a taxa de juro de referência da Zona Euro nos 2%, mesmo com a intensificação de especulações em torno de uma descida, com a economia europeia a dar sinais de abrandamento e retracção no consumo. Ainda assim o mercado acredita que os juros possam descer ainda neste semestre.
O Banco Central Europeu decidiu hoje manter a taxa de juro de referência da Zona Euro nos 2%, mesmo com a intensificação de especulações em torno de uma descida, depois de Jean-Claude Trichet ter admitido, a semana passada, a possibilidade da instituição poder vir a reduzir as previsões de crescimento económico, caso o consumo não melhorasse. Ainda assim o mercado acredita que os juros possam descer ainda neste semestre.
As especulações acerca de um eventual corte na taxa de juro intensificaram-se nas últimas semanas, uma vez que a confiança e o consumo da Zona Euro estagnaram em Março e a inflação permaneceu abaixo do limite do BCE pelo terceiro mês consecutivo.
Para além disso a confiança dos empresários na Alemanha caiu, em Março, para o valor mais baixo dos últimos cinco meses, pelo segundo mês consecutivo e a do consumidor estagnou. As vendas a retalho aumentaram menos do esperado em Fevereiro.
Paralelamente a moeda única europeia – apesar de ter apresentado, na semana passada, a maior queda das últimas três semanas, face ao dólar – «continua forte», considera Redeker do BNP. «A procura interna não recuperou como o esperado» e taxas mais baixas dariam um «impulso psicológico», continuou.
O euro apresentou a maior queda das últimas semanas perante o dólar na quarta-feira da semana passada, devido, sobretudo, às declarações do presidente do BCE, que dava conta da possibilidade da instituição poder vir a reduzir as previsões de crescimento económico, no caso do consumo não apresentar uma dinâmica superior.
No entanto, o euro registou ontem a maior valorização face ao dólar das últimas duas semanas.
A Confindustria, que inclui empresas como a Fiat, apelou ontem ao BCE para baixar os juros, explicando que isso «iria contribuir favoravelmente para a confiança, que está em níveis muito baixos na Itália e Europa».
As bolsas europeias caíram nas passadas quatro semanas. A recuperação liderada pelas exportações e a redução de taxas em países como a Alemanha e a França falhou o objectivo de aumentar o consumo.
A maior parte dos economistas consultados pela Bloomberg acreditam que o BCE vá baixar a taxa no final do segundo trimestre. O Deutsche Bank estima que a autoridade monetária desça o preço do dinheiro em 25 pontos base até ao próximo mês de Junho.
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