Durão Barroso aceita presidência da Comissão Europeia e acredita numa solução interna de estabilidade política
O primeiro-ministro anunciou hoje que aceitou o convite para ser «candidato» à presidência da Comissão Europeia e disse acreditar que a sua saída para Bruxelas não comprometerá a estabilidade política do país nem a manutenção do rumo de política que tem vindo a ser seguido pelo seu Governo.
O primeiro-ministro anunciou hoje que aceitou o convite para ser «candidato» à presidência da Comissão Europeia e disse acreditar que a sua saída para Bruxelas não comprometerá a estabilidade política do país nem a manutenção do rumo de política que tem vindo a ser seguido pelo seu Governo.
Durão Barroso fez uma curta comunicação ao país, na residência oficial de São Bento, depois de se ter reunido esta manhã com o Presidente da República Jorge Sampaio, com os seus ministros num Conselho extraordinário e com a Comissão Política Nacional do PSD.
O primeiro-ministro, que disse que irá apresentar «oportunamente» a sua demissão ao Presidente da República, fez questão de sublinhar que recebeu o «apoio unânime» dos seus ministros em relação à sua ida para Bruxelas, tentando deste modo minimizar em especial o alcance das declarações de Manuela Ferreira Leite, ministra das Finanças e nº2 do Governo, que se tem mostrado particularmente crítica sobre a possibilidade de a saída do primeiro-ministro para Bruxelas ser colmatada com a subida directa de Pedro Santana Lopes (vice-presidente do PSD) à chefia do Governo.
Durão Barroso salientou que a decisão de abandonar o país e o Governo «não foi fácil» mas que ocorre num «momento excepcional da vida da União Europeia», que acaba de integrar dez novos países e aprovar ao primeiro Tratado Constitucional, e que sendo Portugal um país «que deve muito à UE» quando a «Europa pede o contributo de um português, Portugal não pode dizer que não».
O ainda primeiro-ministro disse ainda que a sua ida para o cargo «mais relevante» que um português pode desempenhar na cena internacional serve os interesses do próprio país. «Servir o projecto europeu é também servir Portugal», assegurou.
Em relação às consequências políticas internas, Durão Barroso não se pronunciou sobre nenhuma solução em particular, tendo apenas referido que sendo Portugal uma «democracia madura», tem «confiança» de que será encontrada uma via que «não comprometa a estabilidade política e a linha que o país tem vindo a seguir».
Disse ainda ter «pleno respeito» pelos poderes e pela «autonomia de decisão» do Presidente da República, que garantiu ter mantido «informado ao longo de todo o processo».
Durão Barroso precisa de aprovação do Parlamento Europeu
Durão Barroso parte ao início da tarde para Bruxelas onde, no âmbito de uma mini-cimeira extraordinária, deverá ser formalizada a sua nomeação como sucessor de Romano Prodi à frente da Comissão Europeia pelo Conselho Europeu.
Com a entrada em vigor do Tratado de Nice, pela primeira vez na vida da União Europeia a decisão final está nas mãos do Parlamento Europeu que a 22 de Julho o submeterá a um voto de aprovação. Para que seja bem sucedida, a candidatura de Durão Barroso exige o voto favorável de pelo menos da maioria dos 732 eurodeputados.
No plano interno, espera-se que ainda esta tarde a Comissão Política Nacional do PSD emita uma declaração sobre o teor da reunião desta manhã e com o anúncio do agendamento da reunião do Conselho Nacional do partido (possivelmente para amanhã ou quinta-feira).
É este o órgão do PSD a quem cabe avançar com a proposta de sucessão de Durão Barroso que será posteriormente entregue a Jorge Sampaio.
Durão Barroso aceita presidência da Comissão Europeia
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29-06-2004 08:24
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