Jorge Heitor
PÚBLICO
O grupo rebelde nigeriano Niger Delta People's Volunteer Force, de Mujahid Dokubo-Asari, que luta pela autodeterminação da zona, afirmou ontem que lançará na sexta-feira "uma guerra total ao Estado", pelo que avisou todas as empresas petrolíferas de que até lá devem encerrar a sua produção.
No entanto, as companhias responderam que não se deixarão amedrontar pela ameaça de que os trabalhadores estrangeiros presentes no Delta do Niger, que tem uma superfície de 70.000 quilómetros quadrados, deverão deixar a região, a fim de permitirem a libertação do povo ijaw.
Segundo as autoridades locais, os guerrilheiros são apenas ladrões de petróleo e não conseguirão desestabilizar o sétimo exportador mundial de crude, que está a extrair diariamente 2,3 milhões de barris e que tem reservas de 30.000 milhões.
Os receios de agitação na Nigéria, o mais populoso dos países africanos, foram um dos motivos pelos quais o preço do petróleo atingiu esta semana um recorde de mais de 50 dólares por dia.
Dokubo-Asari, de 40 anos, acusou a Royal Dutch Shell, o maior produtor da Nigéria, e a Agip italiana de colaboração com o regime de Abuja em "actos de genocídio" contra os ijaw (ou ijo), um povo de alguns milhões de indivíduos que habita das florestas do delta do rio Niger. E avisou que o seu grupo não assumirá qualquer responsabilidade pelo que acontecer aos estrangeiros.
O seu nome de registo era Melford Dokubo Goodhead Junior, filho do juiz Melford Goodhead e de Bekinwari M. D. Goodhead, nascido em Buguma. E passou a ser Mujahid Abubakar Dokubo-Asari quando se converteu ao islamismo, em 1988, na Universidade de Calabar, depois de haver sido cristão.
Este novo caudilho anunciou que os estrangeiros só poderão voltar ao Delta do Niger quando estiverem resolvidos os assuntos relacionados com o controlo dos recursos naturais e a desejada autodeterminação das populações locais, que ainda vivem muito mal, apesar de em 1958 ali ter aparecido petróleo.
A Shell já perdeu um pequeno volume da sua produção devido à falta de segurança no Sueste da Nigéria, cujo principal centro urbano é Port Harcourt, com cerca de 370.000 habitantes, distribuídos em redor de um porto de águas profundas existente no rio Bonny, a 10 quilómetros da Baía de Biafra.
Os problemas de quase cinco décadas de exploração petrolífera em solo nigeriano têm vindo a ser agravados ao longo dos anos por uma quase ausência de atenção adequada às populações, para as quais a riqueza do Estado se tornou a sua miséria. E assim se gerou como que um barril de pólvora pronto a explodir em qualquer momento e a originar uma subida acentuada no preço internacional dos combustíveis.
Este reactivar da velha questão do Delta do Niger poderá fazer com que eventualmente venha ser repensada toda a estrurura federal nigeriana.
Ameaça de "guerra total" na Nigéria a partir de sexta-feira
notíCIas_pt
44
29-09-2004 05:04
Disclaimer:
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.