Autor: João Henriques
Data: 01-10-2004 06:28
Uma notícia recente traduz bem a gravidade da crise que atravessa o sector da construção: segundo o INE, o número de edifícios concluídos em Portugal no segundo trimestre de 2004 registou uma queda de 26,6% relativamente ao período homólogo em 2003.
No entanto, o indicador da ANEOP sobre o valor dos trabalhos realizados no mercado das obras públicas (infraestruturas e edifícios), sem deixar de acusar fortes quebras relativamente a 2003, mostra uma tendência de melhoria, tendo a variação real homóloga acumulada a 12 meses (t.v.h.ac.) passado de –18,4% em Janeiro para –9,4% em Junho (valores provisórios). Refira-se, aliás, que aquela Associação previa que a tendência se mantivesse até ao fim do ano, podendo então registar-se uma taxa de variação acumulada nula, quer dizer, o valor das obras públicas realizadas em 2004 poderá ser muito semelhante ao de 2003. Recordemos, contudo, que uma parte muito significativa das empreitadas em vias de comunicação se realizou no âmbito dos contratos de concessão de auto-estradas com portagem real ou virtual.
Quanto às novas oportunidades para o sector, merece relevo a melhoria crescente do valor total das obras públicas postas a concurso no semestre, tendo a t.v.h.ac. passado de –3,2% em Janeiro para +20,9% em Junho. Esta melhoria da procura ficou a dever-se às obras lançadas por autarquias e outras entidades, porquanto o Estado ainda mantinha em Junho uma
taxa de –15,9%, reflexo da política de corte no investimento público.
O valor das obras públicas adjudicadas no semestre apresenta uma evolução mais optimista na globalidade, com t.v.h.ac. variando entre 20% e 37,6% (fechando em Junho com mais 31,3%). O cenário foi, contudo, muito penalizador nas empreitadas adjudicadas pelo Estado, que iniciaram o ano com uma t.v.h.ac. positiva (+11,9%) mas fecharam o semestre com a t.v.h.ac. de –22,1%.
SOARES DA COSTA CONSTRUÇÃO, SGPS, SA
Realizou, no semestre, um Volume de Negócios consolidado (Vendas mais Prestação de serviços) de 238,7 milhões de euros (ME),
correspondendo a 48,1% da meta previsional para todo o ano de 2004. Obteve 5,8 ME de Resultados operacionais consolidados, também praticamente dentro da previsão orçamental de cerca de 12 ME para todo o ano.
Os Resultados financeiros consolidados, com cerca de - 3,3 ME, representam menos da metade do valor registado um ano antes, para o que contribuiu um menor impacto das diferenças cambiais desfavoráveis.
Os Resultados consolidados antes de imposto quase decuplicaram relativamente ao primeiro semestre de 2003, atingindo 2,8 ME, e Resultado Líquido Consolidado, que tinha sido negativo em Junho de 2003, cifrou-se agora em mais de 1,2 ME, excluindo interesses minoritários.
Os proveitos operacionais consolidados nesta área de negócios repartiram-se por 68,4% no mercado interno e 31,6 % no mercado externo, com valores de, respectivamente, 159,3 ME e 73,2 ME, confirmando a importância das operações no estrangeiro, e particularmente em Angola, como forma de suprir as carências do mercado português.
João Henriques
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