Bruxelas reduz previsão de crescimento para 2,1% em 2005
A Comissão Europeia vai reduzir a sua previsão de crescimento económico de 2005 para 2,1%, uma vez que os preços recorde que o petróleo tem atingido e a incerteza relativamente ao valor futuro da matéria-prima ameaçam a recuperação liderada pelas exportações na Europa.
A Comissão Europeia vai reduzir a sua previsão de crescimento económico de 2005 para 2,1%, uma vez que os preços recorde que o petróleo tem atingido e a incerteza relativamente ao valor futuro da matéria-prima ameaçam a recuperação liderada pelas exportações na Europa.
Segundo um comunicado da entidade onde constam as projecções, o crescimento económico da Zona Euro vai atingir os 2,1% em 2005, menos do que os 2,3% estimados em Abril passado.
«O abrandamento no crescimento económico mundial vai resultar numa desaceleração na expansão das exportações», explica a Comissão Europeia no comunicado, acrescentando que «os preços elevados e a volatilidade do petróleo e de outras ‘commodities’ poderá prejudicar o crescimento a nível global».
A valorização de 68% nos preços do petróleo este ano acalmou a economia mundial, levando a taxa de desemprego europeia a atingir o valor mais elevado de cinco anos nos 9%.
Pelo menos oito dados divulgados na semana passada assinalaram o abrandamento do crescimento económico na Europa. Ontem o Banco Central Europeu disse que existem «incertezas significativas» em relação à força da recuperação.
Como anunciado pelo comissário dos Assuntos Monetários, Joaquin Almunia, um desempenho melhor do que o esperado no primeiro semestre vai levar a Comissão Europeia a aumentar as suas previsões para 2004. As projecções da Comissão prevêem um ritmo de 2,1%, acima dos 1,7% estimados em Abril. Em 2006, o crescimento deverá ser de 2,2%.
Com base nestas previsões, o crescimento económico da Europa ficará, até 2006, sempre aquém do previsto para os EUA. O comunicado revela que a expansão económica dos EUA de 4,2% em 2004 vai desacelerar para 3,1% em 2005 e em 2006 vai ser de 3%.
O Japão também se vai distanciar da Europa, crescendo 4,2% em 2004, 2,3% em 2005 e 3% em 2006.
Portugal entre os seis países que deverá manter défice acima dos 3%
O abrandamento inesperado no crescimento económico nos Estados Unidos da América ou uma subida na taxa de câmbio do euro estão entre os riscos para a economia europeia mencionados pela Comissão Europeia.
«A apreciação na taxa de câmbio do euro poderá prejudicar a actividade principalmente no sector manufactureiro da Zona Euro», explica a mesma fonte, acrescentando que «os consumidores ainda estão renitentes em fazer aquisições de bens duradouros». Para além disso, «as constantes tensões geopolíticas continuam a afectar a confiança dos consumidores».
Tendo por exemplo as taxas de câmbio da segunda metade de Agosto, a Comissão Europeia prevê uma média de taxa de câmbio para o euro [Cot] de 1,22 dólares em 2004 e de 1,23 dólares em 2005 e 2006.
«O actual nível da variação cambial não parece ter impedido as empresas europeias de aumentarem as suas exportações», afirma o comunicado acrescentando que «uma explicação possível para isto é o facto da taxa de câmbio ser, ainda assim, justa».
Na pior das hipóteses, um aumento na inflação liderado pelo petróleo poderá levar a «uma ronda de segundos efeitos.
Com as taxas de juro europeia no valor mínimo de seis anos, nos 2%, a Comissão disse que a política monetária do BCE tem proporcionado «condições financeiras favoráveis».
Em relação aos países da União Europeia que «violam» o limite de 3% do défice, entre os quais se encontra Portugal, a Comissão Europeia considera que só a Holanda vai voltar a «uma confortável linha fiscal» em 2006 e que os restantes vão permanecer perto do limite ou acima
O de Itália irá, inclusivamente, acima do limite em 2004 e «aumentar significativamente mais nos anos seguintes». O de França vai cair para cerca de 3% este ano e, na opinião da Comissão, a Alemanha está a fazer progressos «notáveis» e vai ficar por baixo do limite em 2005.
O presidente do BCE, Jean Claude Trichet, disse hoje em Berlim que a valorização dos preços do petróleo aumentou os riscos para o crescimento económico e recuou da estimativa que apontava para uma aceleração da expansão no próximo ano.
«É verdade que as incertezas estão a aumentar com a subida dos preços do petróleo e a com a indefinição em relação ao valor futura da matéria-prima», disse Trichet em entrevista em Berlim, citado pela Bloomberg. O crescimento económico na Zona Euro teve uma média anual de 2,1% nos últimos quatro trimestres e vai «continuar a esse ritmo», acrescentou o mesmo responsável.
Bruxelas reduz previsão de crescimento para 2,1% em 2005
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15-10-2004 09:22
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