Junto copio uma notícia publicada na edição do Correio da Manhã de hoje da autoria da jormalista Denise Fernandes que nos pode deixar a todos a pensar um pouco ....
Mais do que se aumentarem impostos e desejar acabar com o sigilo bancário, o Estado tem ainda MUITO para fazer se quiser efectivamente diminuir o défice e acabar com a evasão fiscal.
Uma boa organização de serviços, revisão de métodos e implementação de novos processos, aliados a uma contenção racional da despesa contribuirão sem dúvida para uma maior produtividade, menor despesa e mais receita. Mas, nisso ninguém fala... porque deve dar muito trabalho a fazê-lo... ou porque convém deixar as coisas assim... É mais fácil aumentar a carga fiscal ....
A gestão do Estado (da coisa pública) deverá ser sem dúvida um dos critérios para a avaliação da performance governativa. Será?
Finanças - Seguraspresso em risco de fechar
FISCO PENHORA FACTURAS DO ESTADO
A Seguraspresso está em risco de fechar e deixar na rua 500 trabalhadores. Isto porque o Fisco penhorou as facturas dos clientes visto a empresa de segurança não ter pago o IVA, no valor de 800 mil euros. O caricato é que a empresa falhou o pagamento do imposto alegando não ter dinheiro porque o Estado, que é o seu cliente principal, lhe deve mais de três milhões de euros.
Vítor Mota
A empresa de segurança de José Ferreira pode fechar e levar para o desemprego cerca de 500 pessoas
“É o Estado a penhorar o próprio Estado, mas sou eu que não vejo dinheiro, sem culpa nenhuma”, conta ao CM o director e fundador da Seguraspresso, José Ferreira.
O empresário chegou a fazer uma proposta de cedência de créditos na repartição de finanças mas nunca obteve resposta. Esperou quinze dias – o prazo legal para o chefe da repartição lhe responder – mas nada. Decidiu então enviar às Finanças o balancete da empresa, com as dívidas do Estado discriminadas. Passados uns dias, começa a receber telefonemas dos clientes a questioná-lo sobre a penhora das facturas.
“Nem sequer recebi um pré-aviso do Fisco e só fiquei a saber da penhora através dos meus clientes. Isso é ilegal”, frisa José Ferreira.
A Seguraspresso faz serviços em todo o País e 90 por cento dos seus clientes são Estado.
Só a Câmara Municipal de Lisboa deve à empresa de segurança cerca de 700 mil euros, quantia que dava praticamente para pagar o IVA, revela o empresário. “Os serviços nos cemitérios não são pagos há mais de um ano”, acrescenta.
Também o Hospital D. Estefânia, cuja segurança está a cargo da Seguraspresso, não paga desde Setembro do ano passado e a dívida já vai em 230 mil euros.
“Por mais que bata o pé, o Estado não paga o que deve”, afirma, indignado, o director da Seguraspresso, contando que “o próprio chefe da repartição admitiu que o Estado é o pior pagador”.
A Seguraspresso, afirma José Pereira, tem uma facturação mensal de 250 mil euros “mas a partir de agora vai tirar apenas 190 mil”. Só para ordenados vão 180 mil.
“Ainda por cima, vou perder clientes, pois alguns já me disseram que querem nada a ver com o Fisco”.
José Ferreira garante que a empresa, a funcionar desde 1974, nunca teve problemas com o Fisco. “O pesadelo começou desde que a Câmara de Lisboa deixou de pagar, há cerca de dois ou três anos”. Altura em que o actual primeiro-ministro, Santana Lopes, estava à frente da autarquia.
PRINCIPAIS CLIENTES ESCOLHIDOS
O Fisco penhorou as facturas dos principais clientes da Seguraspresso, entre elas as da Câmara Municipal de Lisboa, que tem uma conta mensal na empresa de segurança da ordem dos 40 mil euros, revela o director, José Ferreira.
Também a conta do Hospital dos Capuchos, de 30 mil euros por mês, foi penhorada pelas Finanças, bem como a da Docapesca, “que paga sempre certinho” à Seguraspresso os seus 35 mil euros mensais, afirma o empresário ao nosso jornal.
A Câmara Municipal do Porto deve à empresa 60 mil euros e, apesar de a Seguraspresso já não prestar serviço na autarquia, as facturas também foram penhoradas.
“O chefe da repartição escolheu as facturas com os valores mais elevados para penhorar”, frisa José Ferreira.
A Seguraspresso foi fundada há 31 anos e é responsável actualmente por serviços como rondas de inspecção e supervisão, em horários diferenciados, por inspectores e/ou supervisores, que se deslocam em viaturas auto, equipadas com telemóvel, que através de canal semi-duplex, se comunicam com a central 24 horas por dia.
Denise Fernandes
Cumprimentos, Axioma "Só sei que nada sei" - Sócrates
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