Constâncio considera OE 2005 «insuficiente» para reduzir défice
O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, considerou hoje que a proposta de Orçamento do Estado para 2005 (OE 2005) aumenta a dívida pública e é «insuficiente» para reduzir o défice.
O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, considerou hoje que a proposta de Orçamento do Estado para 2005 (OE 2005) aumenta a dívida pública e é «insuficiente» para reduzir o défice.
«Portugal deixou agravar uma crise orçamental, que se revela cada vez mais difícil de resolver», apontou Vítor Constâncio, durante o discurso que proferiu no I Congresso da Democracia Portuguesa, promovido pela Associação 25 de Abril, segundo a Lusa.
De acordo com o governador do Banco de Portugal, «a política orçamental do país tem de ser orientada de forma a exercer uma função estabilizadora do ciclo económico».
No entanto, segundo Constâncio, os sucessivos poderes políticos «têm tido comportamentos contrários» a essa linha, dando como exemplo a proposta de Orçamento do Estado para 2005.
«O Orçamento actual é insuficiente para assegurar qualquer progresso na redução do défice estrutural», enquanto «a dívida pública ultrapassará os 60 por cento» - valor limite imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia.
Além dos avisos sobre a ausência de redução do défice estrutural do país e da subida da dívida pública, o governador do Banco de Portugal alertou para os riscos do aumento dos custos unitários do trabalho, «aumento que tem sido superior à média dos países da União Europeia».
Vítor Constâncio criticou ainda a situação da educação em Portugal, falando mesmo «em desastre».
Segundo o governador do Banco de Portugal, a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) destinado ao sector da educação é superior ao da média dos países europeus, razão pela qual as deficiências se explicam com o factor «ineficiência».
«Na educação, há uma verdadeira angústia, porque os seus problemas poderão não ser resolvidos a prazo», apontou.
O governador do Banco de Portugal criticou também o comportamento dos agentes económicos e dos responsáveis políticos portugueses em áreas como as da inovação e investimento em conhecimento.
De acordo com Constâncio, «73% dos industriais portugueses têm fraca utilização de tecnologias de ponta» e «no investimento em conhecimento Portugal está na cauda entre os países da OCDE».
Na sua intervenção, depois de aludir aos baixos níveis de produtividade existentes em Portugal, o governador do Banco de Portugal negou ainda que o modelo liberal da economia seja a única via capaz de contribuir para o desenvolvimento dos países.
Nesse contexto, Constâncio referiu que, «entre os dez países mais competitivos do mundo, seis deles têm poderosos estados de Providência», citando o caso finlandês.
Constâncio considera OE 2005 «insuficiente» para reduzir défice
notíCIas_pt
21
11-11-2004 09:47
Disclaimer:
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.