A braços com um prejuízo de 43 milhões de euros, a empresa negoceia baixa de remunerações e suspensão de prémios e de regalias dos funcionários em alternativa ao fecho
A Pararede está a avançar com uma profunda reestruturação salarial no grupo, com maior impacto Eurociber, onde a remuneração tinha uma componente variável mais elevada, situação que está a criar algum mal estar junto dos trabalhadores, apurou o PÚBLICO. A administração da Pararede, agora liderada por Paulo Ramos, em substituição de Silva Correia, deverá começar a discutir com os trabalhadores a nova tabela salarial esta semana. E já terá adiantado aos trabalhadores que se a maioria recusar acordar uma revisão do salário base poderá optar por medidas mais duras, nomeadamente o pedido de falência.
A decisão - conhecida depois de a empresa ter afirmado em Fevereiro passado que o plano estratégico de reestruturação e focalização do negócio, iniciado em Julho de 2001, estava concluído - tem como objectivo, segundo foi comunicado aos cerca de 120 trabalhadores da Eurociber, equilibrar as contas do grupo.
O primeiro passo desta reestruturação - que não foi possível confirmar junto da administração - já foi dado, e passou pela suspensão dos prémios pagos trimestralmente de forma regular aos colaboradores com categoria acima de técnico, assim como como do cartão de gasolina, que deixou de poder ser usado a partir de 04 de Abril. A próxima parcela variável do salário a ser retirada será, segundo já foi avançado pela administração aos trabalhadores, o automóvel, que era atribuído aos colaboradores com categoria de no mínimo consultor sénior. A estratégia da Pararede é diminuir substancialmente a frota automóvel e deixar de ter alocados carros aos trabalhadores.
Para já os prémios - uma parte importante do salário, nomeadamente dos trabalhadores da Eurociber, empresa adquirida em 2001 ao grupo Santander, que a tinha "herdado" na sequência da aquisição do Banco Totta e Açores - estão apenas suspensos, mas a administração adiantou que ainda não decidiu se irá terminar com eles ou não. Os trabalhadores consideram que a reestruturação salarial está a ser conduzida de forma "agressiva" e sublinham o desconforto criado pelo facto de a empresa não os estar a envolver no processo. A título de exemplo, referem que a suspensão dos prémios não foi previamente comunicada aos trabalhadores, que se viram confrontados com a ausência do mesmo apenas na altura do pagamento dos salários.
Para avançar com a reestruturação salarial a Pararede encomendou um estudo comparativo da remuneração praticada no sector das empresas de consultoria tecnológica, para estabelecer um salário médio. Aliás, muitas destas empresas estão também a avançar com processos de revisão salarial, por manifesta ausência de projectos, que já se vinha a sentir desde 2002 e este ano se agravou.
A causar preocupação aos trabalhadores está também o facto de este ano o salário ter deixado de ser pago no último dia útil de cada mês e ter resvalado para o primeiro dia útil do mês seguinte e em Abril ter sido depositado ao terceiro dia útil. A acumular prejuízos desde 2001, a Pararede tem enfrentado nos últimos dois anos um difícil processo de reestruturação que levou à dispensa de 246 trabalhadores em 2002. Os prejuízos no passado reduziram-se, contudo, 63 por cento para 43,4 milhões de euros.
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