Autor: holly
Data: 04-05-2003 22:34
A BOLSA – O que vai acontecer :
Se eu fosse monsieur de La Palisse diria sem qualquer receio de errar, que no curtíssimo prazo, ou nos próximos dias só há 2 hipóteses de evolução para o mercado: ou sobe ou desce. O que é certo é que isto é uma realidade. O mercado tem estado de tal maneira que se torna extremamente difícil prever o curto prazo.
Já no que diz respeito ao longo prazo, eu próprio diria que me parece que vai descer. No entanto a dificuldade reside em saber-se (ainda de acordo com monsieur de La Palisse), ...desde que níveis e quando.
Na realidade, os sinais, os indicadores e os sentimentos têm sido tão contraditórios que tornam muito difícil prever com algumas probabilidades de sucesso a direcção que vai tomar proximamente.
Os bears têm vindo sucessivamente a ser contrariados pelo atraso que se verifica na inversão tão apregoada por grande parte de analistas conceituados (a inversão esperada tarda em aparecer).
Os bulls, esperando a subida desejada, desesperam com qualquer pequeno sinal de inversão, influenciados pelas constantes “certezas bear” que vão lendo, quer neste forum, quer nos diversos sites da especialidade, em que avalizados analistas cedem à tentação, em alguns casos pretenciosa, (...estão a ver, que eu é que estava certo e vocês não percebem nada disto), de afirmar a sua profunda convicção da esperada inversão de grande amplitude (que eu também sou levado a corroborar).
Na minha opinião e segundo a teoria de Elliott, estamos no S&P a finalizar um “ending diagonal triangle”. Se no próximo dia ou seguintes o vértice for cortado fortemente, para baixo, então poderemos dizer que provavelmente finalizou uma onda correctiva e vamos entrar numa outra, esta impulsiva de tendência bear. Mesmo que se venha a verificar um “bull trap”, ou seja um corte para cima da linha de tendência superior, seguido de inversão, isso é também um sinal bear. Se porém, se verificar o contrário e o vértice venha a ser cortado, firmemente para cima e venha a atingir os 954 pontos, então sim, isso significa que, muito provavelmente, ficaremos por mais algum tempo, (...não se sabe quanto ) a aguardar a inversão e com a possibilidade de o gráfico testar valores mais elevados, ou seja, se o corte, para cima ou para baixo, dos lados do triângulo formado já é um dado importante a ter em conta, a ultrapassagem dos 954 pontos será um dado de importância crucial.
Certo é que neste momento e apesar de todas estas opiniões, o “sentimento”, no curto prazo está mais bull que bear, embora pareça haver um “pressentimento” quase generalizado de que o mercado irá inverter.
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Esta introdução vem a propósito de “umas coisas” que li recentemente e que achei muito interessantes, sobre Robert (Bob) Prechter, quanto a mim o mais bear dos analistas, com ideias muito seguras sobre os mercados e um passado deveras convincente, sem quaisquer margens de dúvidas, que se tornou conhecido com fama de “guru” a partir de inícios da década de 80.
Desde os fins da década de 70, estudioso profundo e seguidor da “Teoria das ondas de Elliott” que Ralph Nelson Elliott estudou, criou e lançou, durante a “Grande Depressão” e que Prechter desenvolveu com o auxílio dos meios técnicos já ao seu dispor nessa altura (computadores), que lhe permitiram divulgar para todo o mundo este tipo de análise, confirmada pela divulgação das suas arrojadas opiniões que raramente falhavam.
Prechter, hoje com 53 anos, com a ajuda dessas “teorias” previu em 1982, com o “Dow” à volta dos 800 pontos, um superbull market próximo. O que aconteceu ? Durante os seguintes 5 anos o Dow subiu 250 %.
Em 1987 declarou o fim desse bull market. O que aconteceu ? Exactamente 2 semanas depois o Dow caíu 22% na célebre 2ª feira Negra.
Em Setº de 2001, após o dia 11, recomendou a “compra”. O que aconteceu? Os índices subiram 32% nos 6 meses seguintes.
Em Março de 2002 disse que o Dow tinha chegado a um pico, recomendando a “saída”. O que aconteceu? Os índices caíram 32% nos 7 meses seguintes.
Quanto à sua previsão actual (...é melhor sentarem-se...), o mercado poderá vir a testar valores tais como o Dow abaixo dos 1000 pontos, terminando uma longa correcção estrutural, não se sabe se daqui a 5, 10, 20 ou 30 anos. Segundo ele estamos perante um próximo (...para quando?...) cataclismo económico e de uma próxima (...para quando?...) provável nova guerra mundial, de características ainda vagas e indefinidas, entrando-se num bear market sem memória. A teoria de Elliott é assim mesmo. É determinista, é quase fatal que as coisas venham a acontecer,...só não se sabe quando, mas que vão acontecer, isso é certo, “está escrito” nas ondas.
Mesmo investidores que não acreditam nesta visão apocalíptica, confirmam que as opiniões de Bob Prechter sobre os mercados, têm estado de um modo geral certas, concretizando-se de um modo geral, tendo-lhes proporcionado elevados ganhos.
Elliott, baseado nas suas teorias, tinha anunciado a meio da II Grande Guerra, que uma multidécada de bull market estava prestes a começar e aconteceu. Desde 1942 a 1966 o Dow viu o seu índice multiplicado por 8.
Também Prechter, em Setº de 82, usando já os mesmos princípios de Elliott, anunciou que um novo bull market estava a começar. O Dow quase triplicou de valor desde os 893 até aos 2736, nos 5 anos seguintes.
Conforme já dito em anterior artigo sobre as Ondas de Elliott, e até já neste, mas não é demais insistir, é que há o problema que nem Elliott nem posteriormente Prechter conseguiram resolver e que é verdadeiramente crucial para o curto prazo. Trata-se do factor temporal das mudanças de onda ou a detecção mais ou menos exacta do seu término. É certo que se podem prever inversões com muita segurança, mas não exactamente ...quando. É também certo, que de acordo com a Teoria das Ondas de Elliott, se aproxima uma, com as características de cataclismo atrás referido.
Mas... chega de catástrofes. Prechter tem também o seu “calcanhar de Aquiles”. Como todo o ser humano, ele também errou. Errou principalmente quando em 1995 previu um “próximo stock market decline” antecipando-se em 5 anos aos acontecimentos, perdendo um grande potencial da valorização dos mercados, entretanto verificada nesse período.
É agora altura para colocar a seguinte questão: se Bob Prechter se enganou em 5 anos, não poderemos também nós, e ele também agora, estar enganados ? É uma possibilidade. Na bolsa não pode haver certezas, nem se deve induzir os outros a seguir cegamente as nossas convicções. Estas são só nossas, da nossa responsabilidade e temos que ser humildes na transmissão da nossa opinião, porque ela é simplesmente a nossa opinião. Ninguém é dono da verdade, nem tem o direito de criticar quem expressa opiniões contrárias. Se houvesse certezas estaríamos todos ricos.
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A personalidade de Prechter é também ela extremamente curiosa:
Licenciado em Psicologia, fez parte de uma banda rock durante 4 anos após o que começou a trabalhar como técnico de mercado na Merril Lynch. Com 4 anos de prática de mercados começou a desenvolver as técnicas de Elliott, expandindo-as e divulgando-as a todo o mundo, sendo hoje um dos métodos de análise mais fiáveis, especialmente para o médio e longo prazo, deixando, na minha opinião, algumas dúvidas sobre a sua utilização no day trading.
A avaliação que Prechter faz dos mercados, a médio e longo prazo, para confirmação da evolução futura das ondas, utiliza métodos muito pouco ortodoxos e curiosos:
Segundo ele os ciclos (ondas de Elliott) são guiados por “swings” de emoções humanas e como tal e sendo ele psicólogo, enquanto que a maior parte dos analistas utiliza meios extremamente sofisticados e os investidores utilizam elaborados modelos de previsões, ele utiliza ainda, os tais métodos pouco ortodoxos, tais como acompanhar os programas e as programações da TV, ouvir músicas populares e a manter-se informado sobre elas e a acompanhar as modas vigentes, de contexto social. Segundo ele, estes factores incorporam e reflectem a psicologia das massas, tornando-se-lhe aparentes, por essa via, as mudanças de direcção dos mercados, o que o ajuda a melhor interpretar a evolução das “ondas”.
Chama ele a isso , “The science of history and social prediction”.
Os investidores que lêm os média financeiros, em geral, interpretam e deduzem que os mercados de capitais reflectem causas e efeitos tais como, a guerra, o terrorismo, os escândalos financeiros, o FED, etc, etc. que influenciam os mercados. Certo ?
Segundo Prechter essa dedução está completamente errada.. Em vez disso, na sua opinião, o mercado está envolvido em modelos que reflectem os ritmos regulares das emoções humanas colectivas, visíveis no dia a dia e perceptíveis através da televisão, da música , das modas e de todos os eventos sociais e culturais em geral.
É esse estado de espírito que acaba por influenciar as bolsas, sendo também verdade que estas influenciam os estados de espírito, conduzindo por seu lado às situações acima referidas (guerra, terrorismo, escândalos financeiros, etc.), como se de um ciclo vicioso se tratasse, havendo assim una interinfluência entre todos estes factores.
Estes 3 últimos anos são a prova disso. As bolsas baixaram, a economia está doente, executivos de grandes empresas são presos, conflitos Israelopalestianos a recrudescer, a India a testar mísseis, a Coreia do Norte a afrontar os E.U. com ameaças nucleares, aliados europeus a desagregarem-se com afastamentos dos EU e com a criação de novos exércitos desligados do conjunto europeu, americanos indecisos sobre qual ou quais os países que irão atacar seguidamente, o potencial do terrorismo islâmico,etc., etc..
Será que são estes factores os causadores das baixas da bolsa, ou será que é a baixa das bolsas a causadora de todas estas situações. O que é certo e isso é uma verdade insofismável e evidente, é que quando tudo está bem (a bolsa), tudo tende a permanecer bem (o social). A resposta a esta questão é pois muito difícil e deixo-a no ar.
Espero que este artigo contenha bons motivos de reflexão e deixo os leitores com uma última afirmação de Bob Prechter :
“I know what you did next year” ou seja : “Eu sei o que FIZESTE no próximo ano”
Tudo o que ficou dito acima, toda esta diferente abordagem de uma nova visão dos mercados deixa que pensar. Espero que este artigo seja proveitoso para quem se der ao trabalho de reflectir sobre estas questões.
HOLLY – 4 Maio 2003
Fontes consultadas :
Revista "Bloomberg Markets"
(artº “The Ultimate Bear”) de Adam Levy.
Livros de Prechter :
“ The Elliott wave principle”
“ I know what you did next year”
“ The science of history and social prediction”
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