Sr. Zé: Bom dia ! Venho por causa do anúncio de emprego.
Patrão: Entre, entre, sente-se aqui para lhe fazer umas perguntinhas e explicar o teor do serviço. Diga-me primeiro o seu nome e idade e se desejar diga-me algo sobre si para começarmos.
Sr. Zé: O meu nome é José Mendonça, tenho 47 anos e estou desempregado neste momento. Sempre trabalhei no sector textil mas a empresa onde trabalhava, a Textilus, faliu há cerca de 6 meses. Tenho experiência em lidar com vários tipos de máquinas industriais e bastante vontade de trabalhar.
Patrão: A vontade é o mais importante, pois sabe que o serviço que tenho para si é bastante exigente. Trata-se de operar uma máquina muito especial.
Sr. Zé: Especial?
Patrão: Sim, repare que eu tenho outros investimentos bastante mais avultados em que concentro maior atenção, a Mercantil é uma fábrica muito pequena que vai iniciar a sua actividade amanhã, que tem apenas uma máquina e um empregado, possivelmente o sr. Zé se aceitar as condições.
Sr. Zé: Sim, eu preciso mesmo é de trabalho, quais são as condições?
Patrão: Bom, o horário na Mercantil é curto mas bastante rígido. Tem de passar no meu escritório todos os dias às 7:30 para eu lhe dar as indicações da manhã, e novamente às 13:30 para as indicações da tarde. Depois o seu horário de trabalho é das 8:00 às 10:00, e das 14:00 às 16:00. Quanto à remuneração, lamento mas como esta pequena fábrica está em início de actividade tem de ser apenas variável.
Sr. Zé: Variável, como é isso? O horário é bom, mas ...
A máquina
Patrão: É que como disse esta é uma máquina muito especial. Ela só pode trabalhar duas vezes por dia, uma de manhã e outra à tarde, no horário que lhe dei. Ou podem não existir boas condições para ela operar, mas isso saberá através das minhas indicações. Quanto à remuneração, depende dos pontos que o sr. Zé conseguir...
Sr. Zé: Pontos?
Patrão: Sim, esta máquina faz pontos. Basicamente, ela pode trabalhar no máximo duas vezes por dia, uma vez de manhã e outra à tarde, e de cada vez que trabalha ou ganha 10 pontos ou perde 10 pontos. O problema é que se tem de considerar os custos da máquina trabalhar, em termos de electricidade, combustível, desgaste, etc. E isso custa 1 ponto de cada vez que ela opera, portanto na realidade para ganhar 10 pontos tem de ganhar 11, e para perder só 10 pontos na realidade só pode perder 9.
Sr. Zé: Interessante patrão, mas diga lá quanto é que eu ganho por mês?
Patrão: Tenha calma que você assim não vai lá. O emprego tem outras regalias. É que na fábrica grande que fica a 500 metros da Mercantil tem uma cantina onde pode comer o que quiser, e um dormitório, ou seja, este emprego dá-lhe alimentação e alojamento, o que já não é mau nos dias que correm. O seu principal papel aqui na Mercantil é ouvir com muita atenção as minhas indicações e cumpri-las sempre. O objectivo é conseguir perder pouco, percebeu?
Sr. Zé: Trabalhar para perder?
Patrão: Trabalhar para aprender, para um dia vir a ganhar. De qualquer forma, na eventualidade de conseguir ganhar, o que não deverá acontecer nos primeiros tempos, a sua remuneração permite-lhe levar para casa ao fim do mês metade do que conseguir ganhar, evidentemente considerando as despesas de funcionamento que já mencionei.
Sr. Zé: Metade? Mas isso é óptimo ... mas, quanto é isso dos pontos em termos de euros?
Patrão: Bom, a máquina são os futuros STOXX50, e cada ponto desse futuro são 10 euros com 1 contrato. Portanto, cada 10 pontos são 100 euros. Para facilitar vamos considerar que uma vitória vale 1 ponto e uma derrota vale -1 ponto. Se no fim do mês tiver mais vitórias do que derrotas consegue ganhar alguma coisa, por exemplo, se ganhar 21 vezes e perder 20, ganha 1 ponto, que são 10 pontos*10 euros = 100 euros (leva para casa 50 euros). Se perder mais do que o que ganhou, o que será mais normal nos primeiros tempos, esse resultado negativo acumula para o mês seguinte.
Sr. Zé: Bom, eu vou aceitar o trabalho, pelo menos sei que o patrão valoriza a competência.
Patrão: Sim, valorizo a competência, mas o mais importante neste trabalho é a regularidade, pontualidade e obediência.
Sr. Zé: Nisso pode estar descansado.
Patrão: Óptimo sr. Zé, lá o espero então amanhã às 7:30 no meu escritório para as indicações da manhã.
Sr. Zé: Lá estarei !
A perfeição é atingida através de passos pequenos e calmos. Requer, sobretudo, tempo.
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