Esta nota é interessante:
«....segundo a Teoria Ricardiana o aumento dos gastos públicos e défice orçamental leva a que o consumo diminua na mesma proporção, tornando o efeito nulo.»
De facto quando o governo reduz os impostos ou os bancos reduzem as taxas não significa que aumente o consumo, numa economia em crescimento tal acontecimento tem um efeito extremamente perigoso, que é um aumento do consumo e um excesso de confiança brutal, que foi de certa forma o que aconteceu nos anos 90. Uma inflação baixa e controlada provocou a manutenção de taxas substancialmente reduzidas tendo em conta o subaquecimento do consumo.
Numa economia em recessão o aumento dos gastos públicos e défice orçamental, o efeito é benéfico mas limitado a um prazo médio, porque as pessoas sentindo que a economia está com tendência descendente, diminuição na procura, aumento do desemprego, perdem a confiança e demonstram receio pelo futuro, logo essas medidas tendem a perder o efeito benéfico com o tempo e podendo causar a inversão do efeito pretendido.
Defices publicos elevados em periodos de recessão fortes à beira da deflação económica parecem-me assim extremamente dificeis senão quase impossiveis de combater, aumentando a despesa publica parece-me mais um passo em direcção ao abismo.
Assim penso que uma politica de diminuição do defice nas actuais circunstâncias parece-me o melhor caminho, mais curto, mas também mais doloroso. Limpa-se assim desta forma os excessos do mercado preparando assim a economia para uma retoma mais breve e segura.
Dai eu pensar que a vontade dos EUA, da Alemanha e da França, assim como outros em aumentar a despeja publica para incentivar o consumo poderá a prazo não ter o efeito pretendido na economia agravando assim a situação actual e cairmos no mesmo abismo que o Japão.
Portugal apesar de ser extremamente dependente da economia externa, no panorama actual ao ter como prioridade a redução do défice e mais tarde o relançamento economico, está na minha opinião a dar um passo de cada vez na direcção certa.
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