A sonae subiu bastante sustentada em rumores de que ia falhar o aumento de capital da Portucel e possivelmente, vender até a sua parte na empresa. Menos investimento, menos divida, menos prejuizos! Os rumores confirmaram-se, será que em Portugal existe INSIDE INFORMATION?????
In Publico
Sonae falha aumento de capital na Portucel
A ausência de um parceiro e a falta de activos levou a Sonae a desistir do aumento de capital de até 25 por cento a realizar no âmbito da segunda fase de reprivatização da Portucel. Na corrida pela papeleira estão a Cofina, a liderar um consórcio em parceria com a multinancional Lecta, e os finlandeses da M-Real, que entregaram ontem as suas propostas na Inspecção-Geral de Finanças.
A "desistência" da Sonae acabou por gerar alguma surpresa no mercado, depois do grupo de Belmiro de Azevedo ter afirmado que estava na corrida pela Portucel, onde detém uma participação de 29,18 por cento, adiantando que avançava com a Gescartão (com 32,5 por cento, uma vez que não lhe foi reconhecida a opção de compra) e dinheiro. Em comunicado, o grupo da Maia lança uma série de críticas ao actual e antigos ministros da Economia, ao considerar que a reprivatização "contém condições favorecedoras de investidores estrangeiros, em prejuízo da Sonae e, mais genericamente, dos empresários nacionais".
Isto porque, explica, "entre os factores de preferência na selecção dos investidores se conta a detenção de activos de 'fine papers', o que (...) não acontece com os investidores nacionais e, em particular, com a Sonae". Razão pela qual considera ser "extraordinário que o Governo não hesite em formular condições para o aumento de capital da Portucel que à partida excluem ou inviabilizam a intervenção destes últimos".
Apesar de ter causado alguma surpresa, era sabido que a Sonae, ao ter desfeito a parceria com os brasileiros da Suzano e ao pretender concorrer com a Gescartão, ficaria inevitavelmente de fora, uma vez que o Governo decidiu privilegiar os activos industriais do sector de impressão e escrita. Segundo avançou ao PÚBLICO fonte conhecedora do processo, os activos apresentados pela Cofina/Lecta, concretamente no segmento de papel revestido, e pela M-Real, esta especialmente no segmento de papel não revestido, vão de encontro "às expectativas do que se pretendia".
A proposta da Cofina e da Lecta, lê-se num comunicado, permitirá à Portucel "tornar-se no terceiro maior produtor europeu", frisando ainda que "entregarão recursos valiosos" compostos "pela actividades industriais e comerciais da Lecta e pelos recursos florestais da Caima". Caso saia vencedora, a proposta conjunta permitirá à Portucel produzir, anualmente, 2,6 milhões de toneladas de papel para impressão escrita. A Cofina e a Lecta afirmam apoiar "a instalação da máquina já planeada para a fábrica de Setúbal" e avançam que a papeleira "irá integrar, de imediato, a produção das suas fábricas de pasta no processo industrial do grupo, o que lhe permitirá não estar dependente do volátil mercado da pasta". Caso a dupla "ganhe" os 25 por cento do capital da Portucel, a Cofina ficará a deter 15,5 por cento e a Lecta 9,5 por cento. Mais tarde, apurou o PÚBLICO, a Cofina pretende adquirir parte do capital da Lecta. A Cofina foi assessorada neste processo pela CGD e pelo BES.
A M-Real, por sua vez, propõe transferir para a Portucel a sua área de negócio Home & Business, bem como quatro fábricas de papel e uma de pasta. A empresa adianta que a produção de papel não revestido da fábrica de Husum será transferida mediante um acordo de longo-termo. Com esta proposta, lê-se no comunicado, a empresa prevê "a redução da dívida e o fortalecimento da balança da M-Real".
Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial do Ministério da Economia fez saber que "é bem recebido pelo Governo o facto de as duas entidades estrangeiras que se apresentaram a concurso aceitarem, explicitamente, não tomarem o controlo da empresa". A mesma fonte adiantou que o Executivo "entende que é a qualidade das propostas e não a quantidade que determina o sucesso do concurso", respondendo, desta forma, a algumas vozes que diziam que o concurso tinha ficado "deserto".
Apesar de se considerar "afrontada" pelo Governo, a Sonae frisa, no mesmo comunicado, "que não desistiu do seu projecto e que continuará a acompanhar o processo com vista à salvaguarda intransigente dos seus interesses". Refira-se que após o aumento de capital a participação da Sonae deverá diluir-se, nominalmente, para um intervalo entre os 20 e os 25 por cento. Por último, deixa ainda um recado, provavelmente para um dos candidatos: "O grupo Sonae (...) não condescenderá com propostas de diluição da sua posição accionista que consubstanciem para terceiros uma libertação de activos obsoletos, de rentabilidade medíocre e elevados passivos ambientais e laborais (...). O que, aliás, deixa antever que a assembleia geral onde se definirá a entrada do parceiro via aumento de capital será bastante acesa, com a Sonae, que só pode votar com 25 por cento dada a blindagem dos votos, a insurgir-se contra o referido aumento.
As duas propostas são abertas hoje, a partir das 10h00 e, posteriormente, entregues ao júri. De acordo com o previsto na lei, caso falhe o processo de reprivatização o Governo admite alienar um lote indivisível de acções representativas de até 30 por cento do capital da Portucel. Paralelamente, a Sonae fez ontem saber que foi proferido, na semana passada, pelo "Tribunal Constitucional acordou que julgou inconstitucionais as normas em que se fundou" a decisão do ministério das Finanças de limitar o grupo Sonae a deter uma posição de 10 por cento na Portucel, processo este que remonta a 1998. A Sonae vai avançar com um pedido de indemnização.
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