LISBOA, 9 Jun (Reuters) - O Banco Comercial Português (BCP) prevê capturar 120 milhões de euros (ME) - antes de impostos - em 2003 com a melhoria da sua performance em Portugal, que mais do que contrabalançará a erosão da sua margem financeira líquida, segundo uma apresentação do BCP.
Nesta apresentação, feita sexta-feira passada no Investors Day, o BCP prevê reduzir, em 2003, os seus 'Third Party Costs' em 14,4 pct ou 64 ME para 380 ME, quando em 2002 tinha-os reduzido 5,4 pct ou 24 ME.
Prevê a "optimização dos retornos de capital alocados através da melhoria da rentabilidade no SottoMayor e corporate banking" e o enfoque em programas de criação de valor na Polónia e Grécia.
Outra das conclusões chave desta apresentação é "a melhoria da base de capital suportada por forte capacidade de geração de 'earnings', almejando um target de médio prazo de 6,0 pct no core-TIER1 contra os 5,1 pct e versus 5,5 pct pro-forma.
"(Estimamos capturar) 120 ME - antes impostos - em iniciativas de melhoria de performance na banca doméstica, (que) mais do que compensarão a erosão do 'Net Interest Margin' resultante da descida das taxas de juro", refere o BCP, nesta apresentação a que a Reuters teve acesso.
No primeiro trimestre de 2003, o lucro líquido consolidado do BCP situou-se em 95,6 milhões de euros (ME) após uma provisão de 200 ME contra os 167,6 ME do período homólogo de 2002.
O TIER1 do BCP, neste primeiro trimestre, subiu para 7,3 pct contra os 6,6 pct do quarto trimestre de 2002, enquanto o retur-on-equity (ROE) - excluindo a provisão de 200 ME - aumentou para 17,9 pct versus 13,8 pct no trimestre anterior.
Os 'Third Party Costs' são custos de manutenção de hardware e software, viagens e despesas, telecomunicações e publicidade.
BCP QUER MINIMIZAR EXPOSIÇÃO A NEGÓCIOS NÃO-CORE
Nesta apresentação, o presidente Jorge Jardim Gonçalves frisou o compromisso do BCP com a disciplina quanto ao seu capital, estando "comprometido em minimizar a exposição aos negócios não-core, que já começou com a redução nos seguros internacionais, Oniway, Bital e Brisa ".
O BCP quer "optimizar o consumo de capital no negócio core doméstico, reduzindo a exposição ao 'wholesale' e aumentar a sua rentabilidade".
O banco será "selectivo na alocação de capital em mercados de crescimento e risco moderado - Polónia e Grécia -, não tem intenção de usar capital em aquisições ou planos agressivos de expansão" e quer "libertar capital da Seguros e Pensões através da venda ou parceria em condições melhoradas pelo 'turnaround'".
BCP VÊ DOIS MODELOS DISTINTOS PARA VENDA SEGUROS E PENSÕES
O BCP prevê dois modelos para a venda da Seguros e Pensões, admitindo que um dos cenários da transacção pode envolver "uma parceria de 'bancassurance' vida e 'pension fund management'".
"(Seria) através da venda de 50 pct do capital da Ocidental Vida e PensõesGere, que manterão acesso exclusivo à rede bancária do BCP nos seguros vida e pensões", afirma.
Uma segunda alternativa passa "pela venda do negócio não-vida e agentes e a celebração de um acordo de distribuição não-vida e 'health insurance bancassurance'.
A "venda envolveria quatro companhias - Império-Bonança, ICI, Seguro Directo e Ocidental Seguros -, as plataformas técnicas - Médis e Autogere - e companhias de suporte".
"O processo de transacção está em curso com várias partes interessadas em uma ou nas duas componentes (modelos)", afirma o BCP nesta apresentação feita no Investors Day.
A 1 de Abril, o BCP anunciou a aquisição de 100 pct da SeP - número 1 nacional dos seguros - à Eureko, compra que teve uma consideração contabilística de 915 milhões de euros (ME) e a estimativa do goodwill gerado de cerca de 400 ME.
As acções do BCP estão a descer 0,68 pct para 1,47 euros.
BCP quer capturar 120 ME com melhoria da performance em 2003
notíCIas_pt
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09-06-2003 07:42
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