O ministro das Finanças do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou hoje que esta não é a altura certa para o país aderir ao euro porque a segunda maior economia europeia não está em suficientemente em linha com a evolução dos 12 países que partilham o euro.
Gordon Brown, ao apresentar os resultados de um relatório económico sobre a adesão do Reino Unido ao euro, afirmou que irá alterar a meta de inflação para a utilizada pelo Banco Central Europeu (BCE) e que poderá rever a possibilidade de entrada no euro em 2004.
«Desde que os testes cruciais sejam alcançados no que diz respeito à economia britânica, a nossa intenção é de aderir», afirmou Brown num discurso no Parlamento em Londres, segundo a Bloomberg. Dos cinco critérios - chamados de convergência - que são necessários cumprir, o Reino Unido apenas satisfaz um, acrescentou o responsável.
O ministro das Finanças poderá ter algumas dificuldades em fazer aprovar a adesão ao euro. A libra precisa de recuar dos actuais 1,4049 euros para os 1,37 euros, segundo um relatório encomendado pelo Ministério das Finanças britânico.
O Governo prevê um crescimento máximo do PIB para este ano de 2,5%, três vezes mais do que o projectado para a evolução da economia alemã, a maior da Europa.
O Reino Unido, a Suécia e a Dinamarca foram as únicas nações da União Europeia dos 15 que mantiveram as suas moedas quando o euro foi lançado em 1999.
Economias com evoluções divergentes
A economia britânica cresceu 1,8% no ano passado, o dobro do ritmo dos países que partilham o euro. Os sete cortes nos juros por parte do Banco de Inglaterra em 2001 foram suficientes para manter o crescimento, enquanto a Alemanha e Portugal entraram em recessão.
Desde então, o Banco de Inglaterra já reduziu o preço do dinheiro por um vez para os actuais 3,75%. O BCE, que cortou os juros quatro vezes em 2001, baixou o preço do dinheiro por três vezes nos últimos sete meses para os 2%, numa altura em que outros países, como a Holanda e Itália, também registaram contracções nas suas economias.
No entanto, o primeiro ministro Tony Blair tem afirmado que o euro é o «destino» do Reino Unido e que seria «uma pena» o país não partilhar, mais cedo ou mais tarde, uma divisa com os seus principais parceiros económicos.
Sociedade britânica continua dividida
A entrada do Reino Unido não tem gerado consenso. Os cidadãos, grupos de interesse e empresas continuam com posições divergentes nesta matéria. Se por um lado, muitas empresas industriais têm apelado à adesão, alguns retalhistas têm-se oposto.
A Confederação da Indústria Britânica (CBI) não tem uma posição tomada, devido ao facto dos seus membros, que constituem o maior «lobby» empresarial do país, não se entenderem sobre o assunto.
No mês passado, uma sondagem da NOP para o Barclays revelava que 46% dos eleitores estariam contra a realização de um referendo sobre a matéria, enquanto 37% estariam a favor dessa mesma iniciativa.
Reino Unido diz não é altura certa para aderir ao euro
notíCIas_pt
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09-06-2003 10:48
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