Era ainda Saddam Hussein vice-presidente do Iraque e o Irão tinha como chefe de Estado o xá Reza Pahlevi e, em Março de 1975, os dois países vizinhos firmaram o chamado Acordo de Argel, que colocava fim a antigas disputas fronteiriças.
O Mundo parecia estar livre de uma das muitas situações de latente explosão, mas as alterações ocorridas nos dois países nos anos imediatos vieram alterar tudo.
A chegada dos Ayatollahas ao Poder fez com que o Irão voltasse a reclamar a estratégica região do Shatt al-Arab, estreita porção de terra, fundamental para o escoamento do petróleo iraquiano.
Elevado a Presidente da Républica em 1979, Saddam Hussein não se ficou quando foi atacado pelo Irão, dando-se em 1980 início a uma das mais sangrentas guerras da segunda metade do século XX.
Oito anos de combates saldaram-se por 750 mil mortos do lado iraniano (e inúmeros danos no sector petrolífero, com severas repercussões na economia iraniana) e mais de 300 mil mortos iraquianos (que, entretanto, foram apoiados pelo Ocidente e pelos países árabes mais tradicionais na luta contra o islâmico Irão). Técnicamente, a guerra terminou "empatada", facto que acabou por ser reconhecido pelo cessar-fogo de 1988 e, em 1990, pela aceitação pelos dois países do já referido Acordo de Argel, que fixava as fronteiras comuns.
O Iraque chegou ao final do conflito sem ganhos territoriais, mas com uma máquina de guerra bem afinada que, do ponto de vista estatístico, lhe conferia o estatuto de "Quarta potência militar a nível mundial".
Daí até se lançar na aventura do Kuwait foi um passo.
Guerra do Golfo (1990/91)
A Guerra do Golfo Pérsico (1990/91) foi um conflito internacional provocado pela invasão iraquiana do Kuwait, que teve lugar a 2 de Agosto de 1990. O líder iraquiano, Saddam Hussein, ordenou o ataque e a ocupação do Emirado para adquirir as grandes reservas de petróleo desse pequeno Estado. No dia seguinte à invasão, o Conselho de Segurança das Nações Unidas ordenou ao Iraque que se retirasse do Kuwait e, três dias depois foi imposto um embargo mundial a todo o comércio com Bagdad.
O Ocidente ficou em pânico, poís as tropas iraquianas poderiam atacar de seguida a Arábia Saudita, o principal produtor mundial de petróleo. Caso isso ocorresse, o abastecimento energético entraria em colapso, paralizando a curto prazo a economia do Ocidente. Assim, os Estados Unidos e os seus aliados da OTAN enviaram para Riade as tropas de que dispunham de imediato, de forma a dissuadir Saddam de lançar um ataque contra os sauditas.
Outros Estados, incluindo árabes, caso do Egipto, uniram-se à coligação e mais tropas foram enviadas para a Arábia Saudita, no âmbito da Operação Escudo do Deserto, uma iniciativa militar vigiada pelos iraquianos, que tinham colocado no Emirado uma força de ocupação de 300 mil homens, englobando algumas das melhores unidades do Iraque.
A 29 de Novembro de 1990, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o uso da força contra o Iraque, a menos que Saddam mandasse retirar as suas tropas do Kuwait até 15 de Janeiro de 1991, o que não veio a acontecer, numa altura em que a coligação aliada podia fazer alinhar 700 mil efectivos, entre os quais 540 mil norte-americanos, para além de tropas francesas, britânicas, egípcias, sírias e de outros países.
Para Saddam, o Kuwait passara a fazer parte do Iraque como mais uma província.
Assim, Bagdad assumiu uma atitude de desafio, supondo que conseguiria enfrentar os seus adversários numa guerra convencional, ignorando que boa parte do equipamento de que dispunha, nomeadamente blindados e aviões de fabrico russo, não podia competir com o sofisticado material dos aliados (leia-se norte americanos).
Foi assim quase sem surpresa que teve início a Guerra do Golfo, a "Mãe de todas as Guerras" segundo Saddam.
Na noite de 16 para 17 de janeiro de 1991, o Mundo pode assistir, através da CNN, a um ataque aéreo maciço contra Bagdad e multiplas instalações militares um pouco por todo o país. Os ataques aéreos sucederam-se e, em escassas semanas, a Operação Tempestade no Deserto, destruiu por completo os recursos da defesa aérea iraquiana, para além da quase totalidade da rede de telecomunicações, edificios governamentais, fabricas de armas, refinarias de petróleo, estradas e pontes.
Em meados de Fevereiro, abtida a supremacia aérea total, os aviões aliados mudaram de objectivos e passaram a atacar as forças iraquianas estacionadas no Kuwait e no Sul do Iraque, destruindo um vasto número de blindados e posições defensivas.
A 24 de Fevereiro, várias divisões aliadas lançaram-se ao assalto através do Noroeste da Arábia Saudita, em direcção ao Kuwait e ao Sul do Iraque. Em apenas três dias, a cidade do Kuwait foi reconquistada e a resistência iraquiana praticamente deixou de existir. Ao mesmo tempo, uma força blindada dos Estados Unidos penetrou 200 quilómetros em território iraquiano e atacou pela retaguarda as reservas de Saddam. A 27 de Fevereiro, a melhor unidade iraquiana, a Guarda republicana, praticamente já não existia enquanto força de combate. O que restava das tropas tentou, em desespero, defender a cidade de Bassorá, situada no Sul do país.
A 28 de Fevereiro de 1991, impressionado pela amplitude do desastre militar iraquiano e considerando que os objectivos aliados tinham sido alcançados, o Presidente George Bush, ordenou o cessar-fogo, numa altura em que as forças armadas iraquianas eram já uma ficção, pois nada se interpunha entre as divisões blindadas aliadas e Bagdad.
Após a guerra, o Iraque foi cenário de várias sublevações populares contra o regime de Saddam Hussein, que conseguiu suprimir, com maior ou menor dificuldade, essas revoltas. Quanto ao Kuwait, viu a sua independência restabelecida, o que não obstou a que as Nações Unidas, sob pressão de Washington, insistissem em manter o embargo comercial imposto ao Iraque, pelo menos enquanto uma comissão especial da ONU não tivesse neutralizado os mísseis de médio alcance e o arsenal químico-nuclear iraquiano.
Uma palavra quanto ao número de mortes: não há cifras exactas, crê-se que os iraquianos perderam cerca de 100 mil homens enquanto os aliados, perderam, em acção, não mais do que 300 homens.
Diferenças de contexto entre 1991 e 2003:
1.a) Em 1991 o Iraque era militarmente mais forte e os USA eram mais fracos (relativamente entre os dois). 1.b) Em 2003 o Iraque é militarmente mais fraco e os USA são mais fortes (relativamente entre os dois).
2.a) Em 1991 os mercados norte americanos e europeus já eram claramente Bullish (Nota 1: a bolsa portuguesa ainda não é digna de figurar como mercado desenvolvido!). 2.b) Em 2003 os mercados norte americanos e europeus ainda são claramente Bearish (Nota 2: a bolsa portuguesa já não é digna de figurar como mercado desenvolvido!).
Conclusão: Os mercados irão revelar em breve se dão mais importância à desenvoltura militar dos países beligerantes e consequentemente se a guerra é rápida ou lenta no tempo ou se dão mais importância à tendência principal dos mercados, que neste momento é Bearish. (Nota 3: a bolsa portuguesa é de (foi!) desgaste rápido).
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