A Operação Pública de Venda (OPV) da Gescartão, que hoje terminou, foi "um sucesso", apesar da postura de oposição assumida pelo grupo Sonae, accionista da empresa, afirmou fonte oficial do Ministério da Economia.
O lançamento desta OPV motivou um desentendimento entre o Estado e a Sonae, por este grupo considerar que detinha direito de preferência sobre as acções a lançar no mercado.
No final da semana passada, o grupo de Belmiro Azevedo enviou uma carta ao Ministério da Economia em que defende "os seus interesses económicos" no âmbito desta operação, mas cujo conteúdo não é conhecido.
Iniciada a 30 de Junho, a operação conheceu hoje o seu fim, com uma procura superior a 26 milhões de acções, 3,7 vezes o total de títulos disponível, segundo dados do Ministério das Finanças.
No total, as instituições financeiras coordenadoras da operação - BES, CGD e BCP - receberam 1172 ordens de subscrição de 26.193.100 acções, para um total de 6.994.750 acções a subscrever.
Dos títulos disponíveis, apenas não serão sujeitas a rateio 18.270, pedidas por trabalhadores do grupo Portucel, que, à partida, tinham assegurado um lote de 800 mil.
"Num momento em que o mercado de capitais não vive propriamente um clima de euforia, depois de dois anos sem nenhuma OPV, realizar uma OPV com estes resultados é um verdadeiro sucesso", considerou a mesma fonte.
A sessão especial de bolsa para apuramento de resultados está marcada para a próxima segunda-feira e a liquidação financeira terá lugar três dias depois.
Segundo o Ministério da Economia, a entrada da empresa de embalagem e cartão no PSI-20, o principal índice da bolsa lisboeta, é uma forte possibilidade, uma vez que cumpre os requisitos da comissão gestora dos índices bolsistas, entidade a quem caberá a decisão.
Actualmente, a Gescartão é controlada pela Imocapital - empresa detida em partes iguais pela Sonae Indústria e pelos espanhóis da Europac, com uma posição de 65 por cento.
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