Quem fomentava o caos e a desordem nos quarteis?
Quem nomeou gestores para as empresas nacionalizadas com o único objectivo de as levar à falência para que fossem de novo privatizadas?
Esteve no nosso País de 15 a 20 de Dezembro de 1975 uma missão patrocinada pela OCDE composta por Rudinger Dornebersh,Richard E. Ekaus e Lance Taylor do departamento de economia do Massachusetts Institute of Technology em cujo relatório final, entre outras coisas, diz o seguinte:
" Parece ser opinião virtualmente unânime em Portugal que houve um catastrófico declínio na actividade económica no segundo semestre de 74 e durante o ano de 75... ( contudo ) ... a economia portuguesa está surpreendentemente saudável. "
E olhem que não foram os comunas de Moscovo nem os bloqueados de Cuba quem o escreveu.
Quem é que diz que foi Portugal que deu a independência às colónias? Há quem tenha a visão muito curta...e não sou suspeito porque o Mário Soares é das pessoas por quem menos admiração tenho neste país, melhor, por quem não tenho admiração nenhuma. Só que há uma diferença. E os parvos nunca conseguem entendê-la pela condição de estarem limitados por vontade própria. Uma coisa é dar a independência e outra é reconhecê-la a quem a conquistou. Bem ou mal conquistou-a. Se usa bem ou mal essa conquista, isso é assunto dos conquistadores e não dos conquistados.
Pedir esmola? Com um bocadinho mais de jeito até me destinava uma esquina para dar o rabo. Tenha juízo, pobre infeliz. Comecei a trabalhar oficialmente a 9 de Janeiro de 75. Já tinha biscatado na construção civil. Sei o que é uma enxada, um alvião e um engaço. Tudo o que tenho veio-me do corpo e, sobretudo da cabeça. Aos seus olhos, talvez, não tenho nada mas, acredite, tenho tudo. Família, casa, carro, trabalho, dinheiro ( para mim é muito ) ene canas de pesca, muito tempo livre, muitos passeios, muitas viagens... Olhe lá, já conhece Estocolmo, Copenhaga, Berlim, Amsterdão, Belgrado, Sófia, Genebra, Veneza, Roma...........como vê, foi por me acocorar a essa data cinzenta que consegui as coisas... Mas por acaso, já que tem o cuidado de referir um tal simpático que é o caminho e a vida, uma coisa que não tenho em casa é uma única imagem de santinhos nem nada desses terríveis crucifixos onde o homem escorre sangue por todo o buraco. Foi o preço de se colocar ao lado dos mais fracos...é que estar à sombra dos ricos e poderosos não custa nada. O preço é abanar-lhes o rabo...O desplante está no facto de pegarem no pobre infeliz a fazerem dele o porta-bandeiras das suas condutas...tanto cinismo, até mete dó. Por acaso se o homem até fosse filho de deus partia-vos todos mas o José era um pobre carpinteiro e não passou da tábua rasa. Pelo menos fez uma catrefada de filhotes, entre os quais, um inconformado e revolucionário que apontou o dedo ao Imperador. O tal a quem os outros lambiam as botas...era rico e poderoso!
Pensem como pensam que assim são felizes. E não estão só porque a contestarem isto a que chamam democracia há apenas umas migalhas de espíritos. E vocês não pertencem a esta seita de " infelizes". E não peço que venham reconhecer as miserandas figuras que faziam quando cantavam a cantiga das armas de destruição maciva. Estais calados como ratos mas ides p'ró céu porque o tirano não as tem mas podia tê-las!! Estais desculpados. E fica-vos bem bater palmas a quem as tem, as usou e as usasará a seu bel prazer para matar democraticamente. Quando as mãos estiverem doridas de tanta batidela, abana-se o rabo.
Portugal, depois do 25 de Abril melhorou extraordinariamente a sua imagem exterior mas, a nível da mente e dos valores, o novembrismo criou uma sociedade pura e simplesmente rasca. Muito rasca. Que se emprenha com TV e imprensa que está nas mãos de " independentes" tipo Lusomundo, pois claro, e onde proliferam dúzias de cronistas crónicos e...vejam lá, democráticos.
Com tanta dose desta democracia, só me resta prever um futuro negro, tipo novembro. E não é por não pagar impostos. É que todos os meses voam mais de duzentos contos para os cofres vampirescos. Reavê-los-ei futuramente? Claro que sim, responder-me-á o padreco ministerial.
Sou um filho de Abril. Construí-me com ele e ninguém me separará dele.
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