Autor: More
Data: 14-09-2003 10:28
A Batalha pela Economia
Segundo compreendi no programa de TV “A Batalha pela Economia” em passagem pelo canal Odisseia, neste século passado tivemos 3 fases distintas de intervenção governamental: inicio do século = menos governo (capitalismo praticamente puro – Schumpter e a teoria da destruição criadora) ; meados do século = mais governo (intervencionismo estatal defendido por Keynes após a 2ª gr. guerra); fim do século = menos governo (neoliberais como Thatcher e Reagan c/ base na teoria de Von Hayek)
Um pouco de história
As teorias da crise econômica
1 – Introdução
Nos princípios da economia-política tornada ciência, no século 18 e começos do 19, seus pais fundadores, os fisiocratas franceses capitaneados pelo Dr. Quesnay e os economistas-políticos ingleses Adam Smith e David Ricardo, não se preocuparam com o estudo das crises econômicas. O motivo é que estavam mais interessados em fixar quais eram as leis da economia. Além disso viviam num momento de grande otimismo, de ascensão econômica e social da burguesia européia provocada pela expansão da Revolução Industrial do século 18, quando o sistema fabril começou a mostrar sua imensa capacidade de mudar a sociedade, trazendo a prosperidade para uma boa parte dela.
Antes, quando as crises ocorriam, muitos atribuíam-nas a fatores estranhos à economia. Até a má influência da Lua foi, por vezes, mencionada. As desgraças materiais na Antigüidade ou na Idade Média, por darem-se em sociedades agrárias, eram relativamente fáceis de serem explicadas. Quase sempre era uma má colheita, uma estiagem prolongada, uma guerra dinástica ou um descalabro qualquer da natureza, que motivavam a fome e a miséria em uma comunidade. E, o povo em geral, atribui-a a uma danação divina, uma punição de Deus...
Na história das crises contemporâneas a situação é totalmente diferente. A depressão ataca sem nenhuma causa visível. Nem Deus nem a guerra se responsabilizam. As sociedades industriais muitas vezes encontram-se num clima de plena euforia quando tudo, num instante, como um castelo de cartas, desabam. Parecem exercer uma espécie de inexplicável maldição segundo a qual, obrigatoriamente, depois de um período de exuberância e de progresso, fatalmente mergulha-se no pessimismo e na desesperança. Como se no amplo mar da vida uma onda de otimismo deve ser sempre seguida pela maré baixa do desânimo.
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/crise_economia.htm
2 - Karl Marx e a teoria da catástrofe inevitável
Karl Marx, um judeu alemão nascido em Trier em 1818, foi o maior estudioso da economia em todos os tempos e, como é sabido, o maior crítico do sistema capitalista. Denunciou-o como um modo de produção mais sofisticado do que a escravidão na exploração do homem pelo homem. O capitalismo, disse ele, apesar do enorme progresso técnico e material beneficiava somente uns poucos, aos capitalistas, os donos dos meios de produção (as fábricas, os bancos, as minas e as terras). A massa da população, os trabalhadores e os homens do campo, ao contrário, viam-se reduzidos à salários de fome.
A interpretação da crise econômica feita por ele, foi logicamente afetada por essa visão negativa do capitalismo. Marx, por vê-lo como um sistema historicamente datado, isto é, que se tinha um começo, um início, previu seu fim. Profetizou que o capitalismo terminaria através de uma Crise Geral. Seus seguidores, especialmente os sociais-democratas alemães, foram além, polemizando em torno da chamada teoria da catástrofe inevitável do capitalismo (Zusamenbruchstheorie) que faria com que a derrocada dele seria seguida pela implantação do socialismo, da sociedade sem classes.
3 - A concepção da crise em Marx
A razão maior da crise econômica para Marx devia-se a própria irracionalidade do processo produtivo. O capitalismo baseava-se em duas premissas que conduziam-no a uma crise permanente. A primeira delas é que a concorrência provocava a anarquia da produção. Muitos capitalistas competindo entre si, quase sem regras, terminava, por jogar no mercado manufaturados em excesso, provocando uma superprodução. Ao não conseguirem vende-los, porque os salários dos trabalhadores eram baixos, dava-se o subconsumo. Os seus lucro então estavam em decrescência fazendo com que os investimentos fossem suspensos, gerando desemprego e quebras em série. A outra premissa devia-se ao fato de que o sistema produtivo no capitalismo não estava voltado para as necessidades sociais (para atender o consumo básico da população) mas para satisfazer o lucro dos proprietários, provocando situações inacreditáveis (como por exemplo, num país faminto os produtores de grãos queimarem a produção por não considerarem os preços ofertados atraentes).
A evolução do capitalismo, além disso, gerava um outro problema...
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4 - Os revisionistas
Destacam-se no campo da economia-política como os principais revisionistas de Marx, Eduard Bernstein, um alto membro da social-democracia alemã, e os economistas Tugan-Baranowsky e Rudolf Hilferding. Fazendo largo uso das estatísticas da época, em estudos acurados, demonstraram que a evolução do capitalismo não aumentara a miséria dos trabalhadores. Ao contrário, a prosperidade foi tamanha que não só não esmagou os pequenos negócios como beneficiou também os operários fabris, que melhoraram muito seu padrão de vida a partir de 1880. Hilferding no seu "O Capital Financeiro" (Das Finanzkapital, 1910), mostrou que acumulação do capital e a fusão de empresas não provocava - devido a adoção das sociedades por ações - a redução do número de proprietários e que, necessariamente, não conduzira à miserabilidade das massas.
A conclusão que eles chegaram é que o capitalismo tinha capacidade de expandir-se ilimitadamente...
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/crise_economia4.htm
5 - A "destruição criadora" de Schumpeter
Uma outra interpretação da crise econômica, basicamente de viés tecnológico, surgiu em 1911, exposta pelo economista austro-americano Joseph Schumpeter no seu A Teoria do Desenvolvimento Econômico (Theorie der Wirtschaftichen Entwicklung). O capitalismo, para ele, desenvolvia-se em razão de sempre estimular o surgimento dos empreendedores, isto é, de capitalista ou inventores extremamente criativos - os inovadores - que eram os responsáveis por todas as ondas de prosperidade que o sistema conhecia. Para Schumpeter eram eles os heróis da modernidade. O progresso dependia essencialmente desta vanguarda de empreendedores que quase sempre surgiam em grupos.
Nas etapas iniciais do capitalismo, na época do capitalismo concorrencial, o papel do empresário inovador misturava-se com o ...
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6 - Keynes e a superação da crise
Em 1929, com a súbita quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em outubro daquele ano, deu-se a mais calamitosa debâcle econômica e social deste século. É certo que ocorreram outras no passado, mas nenhuma delas atingiu as proporções do Big Crash que devastou quase o mundo inteiro. Os Estados Unidos chegaram a contar 14 milhões de desempregados enquanto a Alemanha somou mais de 6 milhões. A extensão e a profundidade dela fez com que as teorias conhecidas até então (as denominadas "clássicas", não-marxistas) se mostrassem impotentes em resolvê-la. Na mentalidade liberal "ortodoxa" então vigente, as crises eram entendidas como coisa temporária, simples "ajustes de mercado", sem maiores conseqüências do que algumas falências e concordatas.
A Grande Depressão, como passou a ser chamada, estendeu-se porém por muitos anos e foi a principal responsável - com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha em 1933 -, pela eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi em tal cenário desesperador que emergiu a teoria keynesiana. Nascido em Londres em 1883, John Maynard Keynes era um eminente economista inglês que elaborou uma sofisticada fórmula para salvar o capitalismo da depressão em que se encontrava. De 1930 até 1936, ele publicou uma série de artigos e livros (o mais famoso deles foi A Teoria Geral...) procurando mobilizar seus colegas economistas e influenciar os políticos para que seguissem sua receita.
Keynes interpretava a crise como resultado da recusa dos capitalistas em investir...
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/crise_economia6.htm
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