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 A Europa a duas velocidades
Autor: João Henriques 
Data:   15-09-2003 04:52

A França e a Alemanha como são o motor de crescimento da Europa e principalmente a Alemanha é a maior contribuidora para os subsídios europeus, logo querem ter regras só para elas.. é a Europa a duas velocidades.

Aqui fica a notícia sobre o caso da França:

França está prestes a escapar às multas do pacto de estabilidade

Isabel Arriaga e Cunha
PÚBLICO
A França conseguiu apaziguar a fúria dos países da eurolândia pela derrapagem do seu défice orçamental, estando mesmo bem encaminhada para escapar às multas com que deveria ser penalizada segundo as regras do pacto de estabilidade e crescimento para o euro (PEC).

Esta reviravolta aconteceu durante uma reunião dos ministros das finanças do euro, na sexta-feira à noite em Stresa, Itália, para a qual vários titulares tinham partido de muito mau humor: no centro da irritação estava a descontracção com que o governo de Jean-Pierre Raffarin fez saber que o seu país terá um défice orçamental superior aos 3 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) fixados como máximo pelo PEC durante quatro anos consecutivos - de 2002 a 2005.

Os pequenos países, sobretudo, começaram por defender a aplicação estrita do PEC, o que pressuporia a aplicação de elevadas multas ao governo francês a partir do segundo ano de défice excessivo, ou seja, este ano.

Francis Mer, ministro francês das finanças, conseguiu no entanto acalmar os seus parceiros ao comprometer-se a reduzir o défice para valores inferiores aos três por cento do PIB em 2005, um ano antes da data referida pelo seu ministro do orçamento, embora dois anos depois do prazo fixado há três meses pelos Quinze. Para atingir este objectivo, Francis Mer adiantou três medidas concretas: uma reforma profunda da segurança social, o congelamento das despesas globais do estado e a afectação dos eventuais ganhos em termos de crescimento económico à redução do défice.

Mesmo se não ficaram totalmente sossegados, sobretudo à luz dos inúmeros compromissos já assumidos, e quebrados, pelos franceses no passado, a generalidade dos outros países tomou a promessa de Mer como um passo positivo. Todos ficaram, no entanto, na expectativa das medidas que o governo integrará no orçamento de 2004 que será tornado público no fim do mês.

Pedro Solbes, comissário europeu responsável pelo euro e pela aplicação do PEC, considerou esta promessa "um bom passo na direcção certa" embora sublinhando que "não é suficiente", uma forma de manter a pressão sobre Paris. Com o mesmo objectivo em mente, o comissário manteve intacta a ameaça das multas: "se fôr preciso, o pacto deverá ser aplicado ".

Os ministros inicialmente mais críticos, sobretudo holandês e austríaco, foram igualmente os mais cépticos. "O Tratado é claro, o pacto de estabilidade e crescimento é claro: 2005 não é uma resposta ao Tratado", afirmou Karl-Heinz Grasser, ministro austríaco, aos jornalistas. "Não consigo ver como é que a Comissão (Europeia) poderá defender a ideia que 2005 é suficientemente atempado", afirmou o ministro holandês Gerrit Zalm. Apesar da crítica, no entanto , os dois ministros salientaram a atitude mais positiva da França sobre a necessidade de respeitar o PEC. "Os franceses já não dão a impressão de se estarem nas tintas para o pacto", afirmou o ministro holandês sublinhando que "eles deram essa impressão nas últimas semanas".

Outros ministros assumiram uma posição bem mais conciliadora, apelando a que não se fale mais de sanções. "Gostaria que toda a gente se comportasse de forma a que essa questão deixe de se colocar", afirmou o ministro luxemburguês, Jean-Claude Jucker, citado pela Agência France Presse.

Gordon Brown, ministro inglês das finanças, cujo país não integra o euro, tratou de socorrer o governo francês relativizando a sua derrapagem e apelando a alguma flexibilidade na aplicação do PEC. "Num contexto em que o défice do Japão é de oito por cento do PIB e o dos Estados Unidos entre quatro e cinco por cento, e que estes países estão na via da retoma, naturalmente que precisamos de uma certa flexibilidade para termos crescimento económico", defendeu.

João Henriques
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