O euro vai continuar a ser a moeda de apenas 12 países da UE.
Ao contrário do que vários analistas antecipavam, o brutal assassinato de Anna Lindh – a ministra dos Negócios Estrangeiros que era o “rosto” da campanha a favor da integração na união monetária europeia – não provocou um voto emocional e os suecos acabaram por rejeitar a adesão ao euro.
De acordo com os resultados finais da eleição, a vitória do “não” foi confirmada com uma margem confortável e não muito distante da antecipada pelas sondagens realizadas antes da morte de Lindh: 56% contra 42%.
Os analistas citados pela Bloomberg interpretaram este resultado como um “voto de desconfiança” no euro. Os suecos rejeitaram que o seu país se convertesse no 13º membro de uma área monetária que deverá crescer este ano três vezes menos que a economia sueca.
Já durante o fim-de-semana, o ministro sueco das Finanças dissera compreender o cepticismo dos seus compatriotas. “É difícil convencer as pessoas a aderirem a um projecto onde os seus membros não cumprem as regras” disse Bosse Ringholm, referindo-se ao incumprimento do limite de 3% para o défice.
O ministro fez questão de acrescentar que a França – o mais rebelde dos países do euro em matéria de disciplina orçamental – teria “quota-parte da responsabilidade” numa vitória do “não” na Suécia.
Não obstante a Finlândia ser um país fundador do euro, os suecos optarem por seguir o exemplo do vizinho do Sul, a Dinamarca, onde por duas vezes o referendo à adesão ao euro foi chumbado. O receio de que a perda de soberania monetária fosse o princípio do fim do generoso sistema de protecção social terá igualmente sido uma factor de peso por detrás da rejeição do euro, apesar de a adesão ter sido entusiasticamente apoiada pela classe empresarial e até por alguns sindicatos.
Este resultado traduz ainda uma derrota política de peso para o primeiro-ministro social-democrata, Göran Persson. Os analistas não excluem que este se demita, embora considerem este cenário pouco plausível.
O primeiro-ministro afirmou que este resultado, a longo prazo, é desfavorável para a Suécia. Também no segmento empresarial a opinião também é negativa, com a produtora de telemóveis Ericsson a afirmar que o «não» ao euro é mau para o crescimente económico.
A economia sueca deverá crescer 1,4% este ano. O Orçamento apresenta um excedente desde 1997 e a taxa de desemprego está nos 5,3%.
No mercado de divisas, a coroa sueca era afectada pelo resultado do referendo, com uma queda de 1,4% face ao euro. A moeda dos 12 países da União Europeia caia 0,12% para os 1,1275 dólares.
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