Autor: Forever
Data: 15-09-2003 10:41
Caro James 30:
Algumas considerações sobre os EUA:
Como sabe a economia não tem comportamento linear e contínuo, avança e recua por ciclos de crescimento e recessão. É situação normal e recorrente. Os recuos são saneadores e saudáveis para se corrigir o que vai mal. Há empresas desadaptadas, com ineficiências várias e outras a trabalharem em sectores em declíneo. Há que reconstruir, deixar morrer, inovar, desinvestir, reinvestir, corrigir, etc.. Tudo para retomar o caminho do crescimento. Alguém dizia e muito bem, aqui neste fórum, que o Mundo é bull, com acidentes de percurso bear. Nada mais certo. Depois das crises, a própria economia sempre encontrou a maneira de reencontrar o caminho do crescimento.
Há hoje problemas novos? Fala-se em défices excessivos e endividamento. Não acredito que sejam novos. Os americanos, têm na sua longa história de sucesso fases de défices montros e sempre souberam resolver, porque têm uma economia inovadora e competitiva e um sistema bancário mais saudável do que se pensa.
Antigamente, os acima referidos ciclos recessivos eram severos e dolorosos (grande depressão), criadores de fome, miséria, desemprego, sofrimento e morte, porque acreditava-se na reposição automática do equilíbrio económico, bem à maneira dos clássicos. Não se conheciam ainda as teorias keynesianas amiúde empregues nos tempos modernas e que não deixam cavar demasiados os ciclos. Se Greenspan não manipulasse também esses instrumentos as crises seriam longas e dolorosas e os booms criadores de grandes bolhas.
Relativamente ao PIB, é o melhor indicador, senão o único para sabermos a saúde da economia. Não se vê indicador mais concreto e elucidativo. Se os EUA cresceram em 2002 acima de 2% e em 2003 também, é bom. Tomara Portugal ou Alemanha.
Fala-se muito em problemas financeiros. Mas a produção pode comportar-se bem, com problemas financeiros de alguma gravidade. Veja-se que realmente o PIB convive bem com esses problemas. Cresce razoavelmente. É caso para perguntar, como cresceria sem esses problemas.
Uma nota final para me referir aos media. Não tenho nada contra os media, ninguém pode inventar números sem ter as suas fontes. Uma dessas fontes podem ser os media, porque não? Desde que se saiba o que se lê e se contextualize. Mas, por acaso, as mimhas fontes não são os media.
Os meus cumprimentos. Forever
|
|