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 Jerónimo Martins regressa aos lucros semestrais
Autor: notíCIas_pt 
Data:   18-09-2003 01:30

Com venda de activos e redução da dívida

Resultados da reestruturação à vista

A Jerónimo Martins anunciou hoje o regresso aos lucros em termos semestrais, tendo os resultados líquidos ascendido aos 17,05 milhões de euros, devido à venda de activos não rentáveis, a uma diminuição de 35% nos custos com dívida e perdas cambiais e a uma quebra nos gastos operacionais.

As vendas em termos absolutos caíram 16% para os 1,64 mil milhões de euros, mas cresceram 2,4% para os 1,6 mil milhões de euros, se excluídos os activos alienados no decorrer do ano passado e no início de 2003 e onde se incluem a cadeia Sé no Brasil, a LillyWhites no Reino Unido, e a Jumbo e Eurocash na Polónia, entre outros.

No mesmo período do ano passado, os resultados líquidos foram negativos em 177,23 milhões de euros. A queda nas vendas ocorreu num contexto de abrandamento económico em Portugal e Polónia, os dois países onde a empresa liderada por Soares dos Santos opera após a conclusão do plano de reestruturação.

O aumento do desemprego em Portugal espelhou uma quebra do consumo privado, afectando o negócio da distribuição, mais dependente desta componente. O Produto Interno Bruto caiu 1,8% no primeiro semestre do ano.

«Embora o abrandamento económico tenha provocado uma maior pressão sobre os preços de venda, a melhoria conseguida ao nível dos custos operacionais permitiu que a margem de EBITDA do retalho se mantivesse estável», explicou a segunda maior distribuidora nacional em comunicado.

Apesar da quebra no volume de negócios, o «cash-flow» operacional (EBITDA), em termos comparáveis, subiu 1,5% para os 127,84 milhões, devido a quebras de 1,5% nos custos operacionais para os 276,12 milhões de euros e de 8,3% nos custos com meios electrónicos de pagamentos para os 4,99 milhões de euros.

Jerónimo Martins nos últimos 12 meses

JM mantém plano de racionalização de custos

No capítulo de perspectivas para o final do ano, a Jerónimo Martins reafirma o objectivo de continuar a reforçar o seu balanço, através da racionalizaçáo de custos.

Alexandre Soares dos Santos tem vindo a afirmar, apesar de não o ter feito nesta apresentação de resultados, que uma eventual expansão do grupo, a ocorrer, privilegiará outros mercados da Europa de Leste, mas apenas «quando a solidez do balanço o permitir».

Apesar do Governo e do Banco de Portugal anteverem um crescimento entre 0 e 1% da economia nacional para este ano, «o grupo acredita que todas as áreas de negócio saberão adaptar-se às condições do mercado e cumprirão os planos delineados para 2003», refere o comunicado da empresa.

Queda de 5,5% da dívida reduz perdas financeiras

Os encaixes com as vendas de activos foram utilizados para abater uma dívida líquida que se situava nos 914,9 milhões de euros no final do semestre, menos 5,5% que os 968,07 milhões de euros no período homólogo.

Esta redução permitiu, a par da utilização para o abatimento da dívida de 32 milhões de euros em dividendos oriundos da unidade JM Retalho - que opera os supermercados Pingo Doce e os hipers Feira Nova – uma quebra de 43% no montante de juros pagos.

Os resultados financeiros, rubrica que mede as perdas com variações cambiais e os encargos com a dívida, desceram 35% para os 30,72 milhões de euros.



Vendas no Pingo Doce e Feira Nova sobem apesar de pressão nos preços

As vendas da unidade que controla o Pingo Doce e o Feira Nova, detida em 49,9% pela holandesa Ahold, cresceram 6,3% em Portugal Continental para os 729,9 milhões de euros, representando 44,4% das vendas totais.

Na Madeira, as vendas conjuntas para o retalho e para o segmento grossista registaram uma evolução de 1,8% para os 45,56 milhões de euros. A empresa não desagregou os dados para cada um dos segmentos.

No Pingo Doce, a Jerónimo Martins viu-se forçada a baixar os preços, usando promoções e apostando mais nos congelados em detrimento dos perecíveis, para fazer face aos preços agressivos praticados por concorrentes estrangeiros no nosso país, como as cadeias de desconto alemãs Lidl e Tengelmann, esta última a operar com a marca SuperPlus.

O aumento «em volume superior a 7% (atendendo à deflação implícita de 2% nos principais produtos) e um crescimento de 4% no ‘like-for-like’» (que compara a evolução tendo em conta o número de lojas abertas há pelo menos um ano) são «tendências que espelham o sucesso da estratégia da marca», afirma a empresa em comunicado.

As alterações nos preços afectaram igualmente os hipermercados do Feira Nova, diz a empresa. Apesar das vendas acumuladas no semestre terem caído 1,2% devido à concorrência, à quebra de consumo e a uma deflação de cerca de 1%, o Feira Nova registou uma «recuperação significativa» no segundo trimestre.

«Para tal, contribuiu o efeito da Páscoa e a abertura de um hipermercado em Odivelas», justifica a distribuidora.


Performance da Biedronka afectada por queda de divisa polaca

A cadeia de desconto polaca Biedronka, a segunda maior geradora de dinheiro da Jerónimo Martins ao representar 27,7% do seu negócio, registou um aumento de 15,2% nas vendas quando consideradas na moeda local.

No entanto, a queda de 13,9% do «zloty» face ao euro na primeira metade do ano redundou numa descida de 0,9% do volume de negócios da unidade liderada por Pedro Silva para os 454,15 milhões de euros.

«Esta expansão seria ainda mais significativa se comparada em termos de volume, uma vez que o preço dos produtos do cabaz médio tem vindo a sofrer uma deflação considerável», argumenta a Jerónimo Martins.

Apesar da concorrência de operadores estrangeiros naquele mercado da Europa de Leste, a margem de EBITDA manteve-se estável nos 3%.


Recheio, Fima e Iglo/Olá elevam resultados operacionais

O negócio do «cash & carry» - representado pela insígnia Recheio - aumentou as vendas em 4,8% para os 277,38 milhões de euros.

«O crescimento de 6,2% no canal Horeca (Hotéis, Restaurantes e Cafetarias), complementado por uma melhoria no canal do retalho tradicional, permitiu um um aumento importante nos resultados operacionais», afirma a empresa.

A facturação do Recheio na Madeira cresceu 1,8%, revelou a distribuidora sem especificar montantes.

Na área da indústria e serviços, as vendas - quando excluídas a Diversey e Bakery que foram, entretanto, alienadas - cresceram 4,3% para os 159,84 milhões de euros, representando cerca de 10% da facturação total do grupo.

«Para esta boa evolução contribuíram decisivamente a retoma de exportação de azeite na Fima, o bom segundo trimestre dos gelados de impulso da Iglo/Olá e a performance da Jerónimo Martins Distribuição de Produtos de Consumo», o que permitiu uma subida do EBITDA destas áreas de negócio.

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notíCIas_pt 17  18-09-2003 01:30 



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