Fim de semana passado a descansar, a pôr algumas leituras em dia e a fugir com bastante sucesso das notícias dos nossos telejornais. Todos sabem ao que me refiro. O problema, claro, não são as notícias, mas o martelar infindável dos nossos “agentes” políticos de todos os partidos que, em vez de estarem calados a trabalhar ou a repousar, a bom recato, teimam em opinar e marcar posição a torto e a direito. Para, através da comunicação social, mostrar que existem. Mas que existência tão medíocre e pardacenta, palavrosa e primária!
Voltando ao fim de semana, ouvi e li algumas coisas interessantes. Em primeiro lugar, na sua crónica no DNA de sábado, Eduardo Barroso escreveu sobre o nível de vencimentos dos políticos e da impossibilidade que ele teria em aceitar qualquer eventual cargo no governo, pela exiguidade da retribuição que decerto o atiraria para a falência.
Mas antes do jantar de sábado e no meio de conversas cruzadas, veio-me ao ouvido o final do programa televisivo de José Hermano Saraiva, em que abordava a figura de Fernandes Thomaz, líder do executivo do nosso País após a revolução de 1822, que não quis receber qualquer compensação monetária pelo seu cargo, vindo a morrer … não dá mesmo para acreditar!, vindo a morrer…de fome, exactamente por não ter fortuna pessoal e não dizer a ninguém que estava sem dinheiro!
É realmente de pasmar, os mistérios que a vida tem e quais as respostas que devemos dar a perguntas que parecem simples: o que é a honra?, o que é o civismo?, de que forma se deve servir o país?
Nos tempos de hoje, não temos em Portugal pessoas que, sendo milionárias, tenham a capacidade, o desejo, ou a oportunidade de servir o País, em qualquer cargo político de topo. Não digo que fosse a solução ideal, dado que mesmo com excelente situação financeira, qualquer pessoa tem interesses particulares, económicos, sociais e políticos, que não a tornam só por esse facto mais isenta, nem melhor preparada, unicamente mais independente… financeiramente.
Então só temos duas categorias principais de pessoas para ocupar cargos públicos: os de carreira exclusivamente partidária, que nunca se destacaram em nada de especial e os (poucos) de maior craveira, que têm capacidades especiais e credibilidade pessoal a nível do país. Destes últimos, não temos ouvido, até agora, grandes queixas relativamente às remunerações para cargos governamentais.
Mas não teremos perdido muita gente de valor ao longo dos anos, e não estaremos a perder agora outros, que nem põem a hipótese de ocupar cargos públicos de topo, mesmo de forma transitória, por motivos financeiros?
O problema não tem solução a curto prazo. Quem decidiria sobre pagamentos diferenciados muito mais elevado a determinadas estrela políticas, aos “Figos” da governação? Como teria de ser sempre uma decisão casuística, com base num mero quadro legal que o permitisse, não se poderiam evitar eventuais arbitrariedades, implicando a possibilidade de arranjar gato por lebre.
Ficamos então como estamos, sem estrelas e sem grandes perspectivas, cada vez mais afastados dos políticos, esses eternos protagonistas de noticiários e manchetes.
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.