Homem mais rico da Rússia é preso por fraude e evasão fiscal
Mikhail Khodorkovsky, o presidente executivo da petrolífera AO Yukos Oil e o homem mais rico da Rússia, foi preso no sábado passado sob a acusação de fraude e evasão fiscal, colocando em causa conversações de fusão com as americanas Exxon Mobil e Chevron Texaco. A bolsa de Moscovo afundava 14% e a Yukos tombava 21%.
Mikhail Khodorkovsky, o presidente executivo da petrolífera AO Yukos Oil e o homem mais rico da Rússia, foi preso no sábado passado sob a acusação de fraude e evasão fiscal, colocando em causa conversações de fusão com as americanas Exxon Mobil e Chevron Texaco. A bolsa de Moscovo afundava 14% e a Yukos tombava 21%.
Um tribunal de Moscovo decidiu pela detenção de Khodorkovsky no sábado à noite e a notícia foi avançada em primeira mão pelo «Financial Times». Nessa manhã, o Serviço Federal de Segurança russo deteve o executivo quando o seu avião aterrou na Sibéria e trouxe-o para Moscovo.
A Yukos, a maior petrolífera russa, está em processo de aquisição da OA Sibneft para se tornar na sexta maior do mundo, na qual a Exxon Mobil quer tomar uma posição, segundo o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
As acusações do fim de semana, cujos detalhes não foram divulgados, resultam de uma investigação de quatro meses em que os investigadores e a empresa trocaram acusações.
«Esta questão escalou para um nível que não esperávamos», afirmou um especialista de mercados emergentes à Bloomberg, acrescentando que «tem vindo a aumentar a percepção de risco que há em investir na Rússia».
Khodorkovsky enfrenta acusações de sete crimes, incluindo fraude, roubo e evasão fiscal, revelou Natalia Vishnyakova, uma porta-voz do Ministério Público russo, na estação televisiva Rossiya, segundo a Bloomberg, sem avançar mais detalhes.
Caso político
A mesma fonte esclareceu que Khodorkovsky e Planton Lebedev, presidente do Menatep Group que detém 60,5% da Yukos, enganaram a empresa em cerca de mil milhões de dólares (851 milhões de euros).
«Pelo que vejo nas acusações, este é obviamente um caso político», afirmou Anton Drel, advogado de Khodorkovsky, após a decisão do tribunal. «É impossível admitir a culpa (do meu cliente) porque as acusações são absurdas», acrescentou aquele responsável aos jornalistas, segundo as agências internacionais
Khodorkovsky, de 40 anos, financia partidos como o liberal Yabloko e a União das Forças de Direita e tem atribuído às investigações a designação de «guerra interna no Kremlin». A Rússia realiza eleições para o parlamento dentro de seis semanas.
Vladimir Putin apela à calma
O presidente russo Vladimir Putin afirmou, em declarações à televisão estatal, que «toda a gente tem de ser igual perante a lei, caso contrário não teremos capacidade de resolver os problemas para a criação de um sistema de impostos eficiente e socialmente justo».
Putin mostrou-se preocupado com o impacto que este caso pode vir a ter na confiança de outros empresários nacionais e investidores estrangeiros, frisando que não se trata de uma caça às bruxas.
«Compreendo as preocupações das empresas, porque qualquer medida tomada pelas autoridades federais muitas vezes transformam-se numa campanha mais abrangente», disse Putin na televisão estatal.
Por isso, «quero frisar que, em ligação a este caso, não haverá expansão para outros, análogos, porque não há precedentes que os liguem a outros casos de privatizações», esclareceu o presidente.
«Gostaria de pedir a todos que parem de especular e que acalmem a histeria vivida com este caso», afirmou ainda Putin, acrescentando que «vou pedir ao Governo para não se envolver neste caso.
Bolsa de Moscovo regista maior queda em quatro anos e meio; Yukos Oil afunda
As acções russas registavam a maior queda em quatro anos e meio, com os investidores receosos de que a prisão de Khodorkovsky venha a afastar os investidores quer nacionais quer estrangeiros.
O Russian Trading System Index (RTSI), que serve de referência à bolsa moscovita, afundou um máximo de 14,17%, a maior queda desde Maio de 1999, enquanto a Yukos Oil mergulhava 21,64%.
«É horrível para a imagem do país» afirmou um especialista à Bloomberg, acrescentando que os «investidores ocidentais não querem fazer negócios num país onde o governo confisca propriedade privada e intimida executivos».
A obrigação de referência do Governo russo, com vencimento em 2.030 caía 1,45% para os 93,75% do seu valor facial, com o «yield» a subir para os 7,354%.
A divisa russa descia 0,45%, com um dólar a comprar 30,045 rublos, menos do que os 29,9095 de sexta-feira.
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notíCIas_pt
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27-10-2003 08:30
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