Os resultados líquidos consolidados da EDP caíram 3,6% nos primeiros nove meses de 2003, tendo-se fixado em 257,6 milhões de euros, em linha com as previsões dos analistas. Os fornecimentos e serviços externos (FSE’s) baixaram, mas os custos financeiros agravaram-se.
Os resultados líquidos consolidados da EDP caíram 3,6% nos primeiros nove meses de 2003, tendo-se fixado em 257,6 milhões de euros, em linha com as previsões dos analistas. Os fornecimentos e serviços externos (FSE’s) baixaram, mas os custos financeiros agravaram-se.
Os analistas consultados pela Reuters aguardavam lucros de 255,94 milhões de euros, que comparam com os 267,3 milhões de euros conseguidos no período homólogo do ano passado. O volume de negócios da empresa liderada por João Talone cresceu 11,54% para 5,18 mil milhões de euros.
No entanto, o EBITDA (cash-flow operacional) cresceu 19,6% para os 1,32 mil milhões de euros, enquanto o resultado operacional subiu 18% para 582,3 milhões de euros. Esta evolução favorável é sobretudo explicada pelo aumento do perímetro de consolidação.
Excluindo este efeito, o EBITDA da EDP progrediu 7,3%, ou seja, 80,7 milhões de euros. A Hidrocantábrico contribuiu com 57,1 milhões de euros, enquanto as participadas brasileiras Escelsa e Enersul, entraram com 45,6 milhões e 32,7 milhões de euros, respectivamente.
Já o contributo do EBITDA da Bandeirante registou uma queda de 11,9 milhões devido à desvalorização do real. No entanto, em moeda local o EBITDA da empresa brasileira aumentou 9,8%.
Outra participada a ter efeito positivo nos lucros foi a ONI, com um valor de 40 milhões de euros, «devido ao aumento do tráfego de voz, às tarifas de interligação mais baixas, à rigorosa contenção de custos e à descontinuação da ONI Way», explica a empresa em comunicado.
Acções da EDP em 12 meses
Custos baixam mas provisões penalizam
A EDP explica ainda que a penalizar os resultados este o aumento das provisões e amortizações na unidade de Distribuição da empresa.
«A constituição de provisões para cobrança duvidosa aumentou de 20,5 milhões de euros nos nove meses de 2002 para 37 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2003 devido essencialmente a um aumento do número de cobranças duvidosas, reflexo de um ambiente económico desfavorável, e a juros de mora cobrados em contas de electricidade que não foram recebidas», explica a empresa de João Talone.
No lado positivo esteve a contenção de custos, destaca a EDP. O controle de custos, «como importante objectivo de gestão», permitiu que a Setembro deste ano os fornecimentos e serviços externos, excluindo as alterações devidas ao novo perímetro de consolidação, baixassem 6,5%.
Ainda no lado dos custos a factura com o pagamento ao pessoal desceu 4,8%.
«A EDP vai prosseguir esta política de contenção e redução de custos agora que a Entidade Reguladora deu o seu aval à passagem às tarifas dos custos de reestruturação previstos para 2003 e 2004», promete a empresa.
Num comunicado recente a ERSE apelou para que a EDP baixasse os seus custos com FSE’s, destacando que o corte de postos de trabalho não é suficiente para modernizar a empresa.
«Um total de 485,7 milhões de euros podem vir a reflectir-se directamente nestas reestruturações e passados para as tarifas até 2025. Este acordo permitirá à empresa modernizar-se e tornar-se mais flexível e competitiva», diz a EDP, que quer suprimir um máximo de 2 mil empregos.
Custos financeiros penalizam resultados
A penalizar ainda as contas da EDP esteve o agravamento dos custos financeiros da eléctrica nacional.
Os prejuízos financeiros aumentaram 40,2%, ou 82,3 milhões de euros, totalizando 287 milhões de euros.
A mudança no perímetro de consolidação teve ainda um impacto nos juros líquidos de 47,8 milhões de euros e traduziu-se num aumento das amortizações relativas ao «goodwill» de 38,4 milhões de euros.
Tal deve-se a um aumento da dívida ao nível da holding, após a aquisição pela mesma da dívida emitida pela Escelsa em dólares, do financiamento da aquisição de 40% da Hidrocantábrico, e da consolidação pela primeira vez, das perdas, no montante de 7,2 milhões de euros, incorridas desde 2000 pela Electra, participada em Cabo verde da qual a EDP detém 30,6%», refere a empresa.
Pela positiva, a contribuir para um menor decréscimo nos lucros, esteve a descida, para menos de metade, no valor negativo dos interesses minoritários, « devido a uma redução das perdas líquidas ao nível da ONI e a um contributo positivo das subsidiárias brasileiras depois da consolidação pelo método integral».
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