Hoje pelas 13h30m, como sempre na primeira sexta-feira de cada mês é divulgado o relatório do desemprego, e se existe algum indicador económico mais em foco é sem dúvida o desemprego. (est: tx desemprego - 6,1% e payrolls - 65 mil)
A dificuldade da economia norte-americana em criar empregos é o gap apontado por todos os economistas e analistas que é preciso resolver para a expansão continuar sustentadamente. Sem criação de postos de trabalho, não existirá o consumo necessário para se entrar num ciclo de crescimento. As últimas indicações são de que o número de despedimentos está a diminuir mas a criação de emprego está muita fraca. Vamos a ver os números de hoje.
Se à recuperação económica que se seguiu à recessão de 1990/91 já lhe tinham chamado de "jobless recovery", o cenário actual é muito mais grave.
Até ao final de Setembro os empregos na indústria tinham caido em 2,8 milhões, face a Março de 2001, e em 1,2 milhões face a Novembro de 2001, data em que o National Bureau of Economic Research declarou o fim da recessão. Cerca de 2,4 milhões de empregos perdidos, dos 2,8 milhões, foram na indústria.
Os dois mais importantes factores que justificam esta situação são: a deterioração da balança comercial e a crescimento da produtividade.
Relativamente à balança comercial, deve-se ao facto de existir uma penetração cada vez maior das importações na economia norte-americana. Actualmente, 26% do valor dos produtos consumidos nos Estados Unidos é produzido no estrangeiro, 5 pontos percentuais acima dos dados de 1999 mas cerca do dobro do nível em princípios de 1980. Os produtos exportados pesam em cerca de 16% na economia, o mesmo nível que nos anos 90. Este facto tem consequências no emprego na indústria, porque os consumidores consomem mais produtos vindos do exterior.
Mas esta situação não pode continuar permanentemente, porque o défice corrente está em cerca de 5% do PIB e um ajuste terá de ocorrer algum dia. Este défice é consequente da baixa poupança e forte consumo dos consumidores norte-americanos, que obriga por um lado a haver endividamento externo, e por outro, a adquirir mais produtos no exterior, e também da atractividade dos Estados Unidos como local de investimento, porque cresce mais do que os outros países.
Relativamente à produtividade, o seu crescimento tem sido muito forte, e deste modo as empresas conseguem satisfazer a procura com menos trabalhadores. Desde o final da recessão em 2001 a produtividade cresceu a uma média anual de 4,5%, comparativamente a uma média de 2,5% nos finais de 1990.
Bibliografia:
Remarks by Governor Ben S. Bernanke
November 6, 2003
The Jobless Recovery
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.