Custos de trabalho representam 80% dos custos das empresas mas ainda assim, e porque estamos a falar dos EUA, podem ser encarados como custos variáveis em vez de custos fixos. Esperemos portanto que (mesmo que os dados desta semana não sejam muito favoráveis) a confirmar-se um aumento do emprego, isso venha a corresponder a um aumento no mínimo proporcional da taxa de utilização.
Se o nível de desemprego tiver já batido no fundo, então a economia dos EUA estará em condições de aumentar o rendimento disponível dos particulares (leia-se em termos médios) apenas por essa via.
Endividamento
Quanto ao problema crucial: endividamento vs. poupança, isso faz-me lembrar um outro país (hehehehe); só que nesse outro país a política monetária está nas maõs de um outro BC.
E é aqui que eu vejo as principais contradições.
O endividamento nos EUA está a chegar a níveis insustentáveis, ainda por cima a ser enterrado em passivos, alguns de desvalorização rápida, e não em activos. Portanto se um aumento das taxas de juro pode parecer um duro golpe no curto prazo, no médio e longo prazo é algo indispensável para equilibrar (sanear) as coisas. Teria também a vantagem de drenar dinheiro gordo dos mercados de acções para activos de poupança; de facto, depois do crescimento dos últimos meses, o mercado tem espaço para cair sem grandes dramas.
Por outro lado, o dólar, a níveis historicamente muito baixos, tem agora algum espaço de apreciação sem "magoar" (muito) as exportações; além disso, essa apreciação poderia também contribuir para a melhoria do aspecto da Balança Comercial dos EUA, se bem que essa não seja uma das suas maiores preocupações.
Resumindo, vejo um aumento das taxas de juro nos EUA num curto prazo de tempo. Este terá as suas implicações nos mercados accionistas e nos mercados cambiais.
Será que é por isso que os insiders estão a vender? Será que estão a vender acções e a comprar dólares?
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