Como já sabemos temos uma economia em recessão, apesar do cenário ser de alguma melhoria no final deste ano. A recessão deve-se essencialmente ao ajustamento da procura interna, consequente do excesso de endividamento dos anos 90. As exportações têm-se comportado bem aumentando o seu contributo para a riqueza nacional. No que se refere ao défice, este será excessivo se não forem tomadas medidas extraordinárias que representam cerca de 2 p.p. do PIB. O seu aumento deve-se à diminuição das receitas fiscais e ao aumento dos custos com o desemprego.
No fundo temos um texto que a oposição tem muito por onde pegar para fazer a vida negra ao Governo, vamos a ver se o PS demonstra finalmente algum trabalho, agora que, finalmente, o Ferro Rodrigues está mais concentrado na política do que no caso Casa Pia.
Aqui ficam alguns parágrafos:
"Em 2003, o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá registar uma contracção, em termos reais, entre -1½ e -¾ por cento, que compara com
um crescimento de 0.4 por cento em 2002. Em termos intra-anuais, já se tinha observado uma variação homóloga negativa na segunda metade
de 2002, que se acentuou no primeiro semestre de 2003. As projecções anuais do Banco de Portugal têm implícita uma queda do PIB menos pronunciada na segunda metade do ano.
As projecções agora divulgadas apontam para uma contribuição muito negativa da procura interna para o crescimento do PIB, de cerca de -3 pontos percentuais (p.p.), que acentua a evolução já observada no ano anterior (-0.7 p.p.), em especial no segundo semestre.
A evolução da actividade em 2003 traduz a continuação do processo de ajustamento endógeno do sector privado na economia portuguesa, no contexto de uma economia europeia pouco dinâmica. A acentuada redução das taxas de juro na segunda metade da década de 90, em conjugação com uma política orçamental inadequada, induziu crescimentos muito significativos do consumo e do investimento privados, conduzindo a um grande aumento do endividamento dos agentes económicos residentes e, consequentemente, a uma forte deterioração do défice externo.
O objectivo para o défice em 2003 de 2.9 por cento do PIB só será possível de atingir com a realização de um conjunto de medidas extraordinárias(
20) num montante superior a 2 por cento do PIB(21). Esta deterioração
do défice excluindo o efeito de medidas extraordinárias é explicada, sobretudo, pelo efeito cíclico que está a determinar uma evolução muito
desfavorável das receitas fiscais, em particular dos impostos sobre o rendimento e património (para os quais o Ministério das Finanças prevê uma queda de 4.2 por cento)(22), bem como um crescimento substancial dos subsídios de desemprego que, de acordo com o relatório do OE-2004, poderá ascender a 38.2 por cento."
O relatório do Banco de Portugal é uma seta ao Governo
João Henriques
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18-11-2003 07:03
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