NUBUTAUTAU- Moradores de um vila do interior de uma das ilhas das Fiji choraram na quinta-feira ao pedir desculpas pelo facto dos seus antepassados terem comido um missionário britânico 130 anos atrás.
Os moradores do pequeno assentamento de Nubutautau e os parentes do reverendo Thomas Baker participavam de um complexo ritual de reconciliação, que, esperam os moradores do local, acabe com uma onda de azar que assombra o local há muito tempo.
Os Canibais mataram Baker em 1867 e o comeram depois de o missionário ter aparentemente menosprezado o então chefe da vila. Até mesmo as botas do britânico foram cozidas junto com o seu corpo e uma planta local utilizada como tempêro. O episódio teria resultado na maldição com que agora tentam acabar.
"As lágrimas vieram do fundo de nossos corações porque esperamos muito tempo", afirmou à Reuters o porta-voz do vilarejo, Tomasi Baravilala.
"Acreditamos nisso. Somos cristãos e hoje seremos libertados da maldição."
A Bíblia, o pente e a sola das botas de Baker foram entregues aos seus descendentes, que viajaram da Austrália para a cerimónia no lugar do delito, e serão mantidos no Museu Fiji situado na capital do país, Suva.
Os moradores de Nubutautau tentaram sem sucesso comer as botas depois de Baker e oito de seus seguidores de Fiji terem sido mortos com golpes de bastão nesse país do sul do Pacífico, conhecido no passado como as Ilhas Canibais.
O canibalismo era uma prática disseminada na ex-colónia britânica e a carne humana era descrita como "porco comprido".
Da cerimónia de reconciliação, participaram cerca de 2.000 pessoas, entre as quais o primeiro-ministro de Fiji, Laisenia Qarase, e membros do influente Grande Conselho de Chefes.
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