Parece haver alguma contradição entre a evolução actual no sentido da retoma da Economia Norte Americana e a posição do FED, relativamente a uma política monetária mais restritiva. Aquele organismo, continua a suscitar dúvidas relativas ao timing mais oportuno para a provável subida das taxas de juro. Mas algumas ilações devem tirar-se.
O discurso que o FED tem vindo a apresentar, não é nem de perto nem de longe, propício a esperar-se uma alteração na sua política monetária. O seu discurso vai no sentido de manutenção de taxas de juro por um período apreciável. Aquele Organismo tem dado mais ênfase aos riscos de uma descida da inflação, do que aos riscos de uma subida.
Para mim, um dos pontos principais da hesitação do FED, está no receio dos riscos de descida de inflação, ainda não totalmente desvanecidos. Ainda me parece cedo considerar-se que futuramente os preços só podem subir. Se ponderarmos bem, tudo nos indica que futuramente as pressões inflacionistas serão muito pouco significativas, e, quer queiramos quer não, ainda restam dúvidas quanto à verdadeira pujança e poder de sustentação da retoma, que no entanto, se espera seja uma realidade.
Alguma incerteza do FED, é causada também, pela instabilidade que se observa ainda no mercado de trabalho, provocando problemas à criação de empregos, e por outro lado, certa pressão nos preços de petróleo devido ao aumento da procura Chinesa elevando as indecisões do FED, quanto a política a tomar no futuro, relativamente às taxas de juro.
Alguns comentários de membros do FED, contudo, parecem dar-nos a entender que dada certeza da retoma, a subida das taxas de juro poderá concretizar-se num futuro mais próximo do que possa pensar-se.
Esta relativa incerteza parece elevar a volatibilidade das decisões de quem intervém nos mercados financeiros. Basta atentarmos no desempenho dos mercados de futuros, onde parece já ter-se incorporado uma subida de 25 pontos base, brevemente, nas taxas do FED FUNDS.
Mais duas notas: Quanto ao Japão, considera-se que os mercados monetários já apresentam estabilidade forte para não necessitarem mais mexidas.
Quanto ao BCE, o mercado começa a descontar subidas de taxas de juro na zona Euro. Há fortes probabilidades da subida se efectuar entre o primeiro e o segundo trimestre de 2004. Mas isto depende também da manutenção da inflação que teima em estar acima dos 2%, apesar da relativamente forte apreciação do Euro. Mas a situação na Europa é diferente da dos EUA, pois a recuperação é ainda incipiente e existe também o problema para o crescimento, provocado pela forte valorização do Euro, que poderá ser ainda potenciada por uma possível subida das taxas de juro.
Não há dúvida que as decisões para as autoridades monetárias estão difíceis tanto nos EUA como na Europa. Está tudo ainda um pouco cinzento. Aguardemos notícias sobre a consolidação da retoma.
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