Acções do BCP caem mais de 3% após interrupção da venda da Seguros e Pensões
As acções do Banco Comercial Português (BCP) registavam hoje uma desvalorização superior a 3%, depois de o banco liderado por Jardim Gonçalves ter interrompido o negócio para a venda de várias unidades da Seguros e Pensões. Os analistas dizem que está é uma notícia negativa para o BCP.
As acções do Banco Comercial Português (BCP) registavam hoje uma desvalorização superior a 3%, depois de o banco liderado por Jardim Gonçalves ter interrompido o negócio para a venda de várias unidades da Seguros e Pensões. Os analistas dizem que está é uma notícia negativa para o BCP.
O banco de Jardim Gonçalves anunciou ontem que decidiu interromper a venda da Império Bonança, Medis e Seguro Directo – da Seguros e Pensões -, por não estarem reunidas as condições, atendendo, ao valor dos activos e à evolução favorável que tem registado a actividade da seguradora.
O Millennium bcp mantinha negociações exclusivas com a AXA que não chegaram a bom termo devido a divergências quanto ao preço do negócio, bem como ao seu modelo.
As acções do BCP [Cot] reagiam hoje em queda a esta notícia, desvalorizando 3,23% para os 1,80 euros, com mais de 4 milhões de títulos negociados.
Analistas dizem que interrupção no negócio é «negativa»
Os analistas afirmam que a interrupção na venda da Seguros e Pensões é negativa para o BCP, lembrando que o mercado aguardava a concretização deste negócio no curto prazo, mesmo até ao final deste mês.
«Pensamos que será melhor para o BCP vender (a Seguros e Pensões) mesmo que com uma pequena mais valia, do que não vender, dada a forte dependência do negócio segurador face aos mercados de capitais», escreve Cristina Viera da Fonseca, analista do Espírito Santo Research, no «Iberian Daily» de hoje.
Já o BPI refere que «apesar da Seguros e Pensões estar a aumentar o seu contributo para os resultados do Grupo (41 milhões de euros no segundo trimestre e 16 milhões de euros no terceiro), estamos convencidos que, no curto prazo, a venda (da Seguros e Pensões) era um sinal de foco no "core business"».
As acções do BCP tinham evoluído favoravelmente nas últimas sessões, com o mercado a dar como certo que o banco iria em breve anunciar a venda do negócio não vida da SeP à seguradora francesa AXA.
Apesar de ter interrompido as negociações, o BCP anunciou ontem que mantém a intenção de alienar activos fora do «core business» e que este facto não tem impacto nos rácios de capital.
«Se o BCP não chegar a um acordo e se a melhoria da rentabilidade da empresa (SeP) for sustentável, o tempo vai provar se esta foi uma decisão acertada», afirma o BPI, acrescentando que «o BCP tem agora que mostrar que está focado no "core business", possivelmente através da venda de outros activos» fora da actividade bancária.
A ESR lembra ainda que o BCP já fez um «wrote-off» do «goodwill» relacionado com a aquisição da SeP à Eureko, pelo que qualquer negócio de venda desta unidade só terá impacto nos rácios de capital se for feitto, acima ou abaixo, do valor contabilístico.
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