Permito-me aqui destacar os seguintes parágrafos e sublinhar (espero que o autor não leve a mal nem a administração do CI):
A questão do Iraque, apesar da continuação das vítimas civis e militares terá a tendência de perder o protagonismo internacional, a visibilidade que manteve ao longo de 2003. Aqui cabe uma ressalva: G. W. Bush não parece ser o político capaz de assumir um papel na história, mas a decisão de invadir o Iraque dar-lhe-á o benefício da dúvida. Foi uma jogada estratégica de grande visão. Enquanto os comentadores apressados dos media Ocidentais tentaram justificar a guerra pela intenção de Saddam em vender o petróleo cotado em Euros (que argumentação infantil), esquecendo-se que o mesmo ditador havia feito pior na década de setenta quando nacionalizou o crude, a realidade é bem distante – os Estados Unidos necessitam de uma fonte permanente do “ouro negro”, por eles mesmos controlada, para poderem sobreviver ao choque que virá quando a China se tornar um dos maiores consumidores mundiais, situação que deverá ocorrer nos próximos dez anos. E se dúvidas houvessem, basta ver o que acontece com os preços das “commodities” que a China passou a consumir em larga escala. Portanto, com um governo amigo no Iraque, a vulnerabilidade externa dos EUA diminui amplamente. Tanto mais que há sempre o risco, embora diminuto, de surgirem hostilidades anti-americanas noutras regiões onde se produz energia, incluindo no próprio continente. Ainda em relação ao terrorismo, não é de descartar um grande atentado na Europa Ocidental. Sobretudo, se falharem as possíveis tentativas em solo norte-americano. Nenhum país da região está imune, embora o Reino Unido possa ser o grande alvo alternativo. De qualquer maneira, para o bem e para o mal, o mundo está agora mais acostumado com a ideia.
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Não faz muito sentido fazer a extrapolação de índices accionistas de um país como os EUA para outra moeda que não seja a do próprio país. O mesmo se aplica aos índices accionistas da zona Euro, Reino Unido e do Japão. O mesmo já não se aplica a índices accionistas de países cuja moeda é indexada a uma moeda forte, seja oficialmente, seja por arbitragem de mercado. Queremos dizer que não vale dar um preço ao DAX em dólares, ou ao SPX em Euros, mas que se pode dar um preço à Bovespa em dólares, para lá do preço em moeda local. Quanto muito, pode-se e deve-se relativizar um índice accionista. Por exemplo, pode-se comparar um SPX a preços de 2003 com os preços de 2002 e verificar se a sua valorização compensou as perdas da moeda base de cotação como valor relativo. Se o SPX avançou 25% e o DX (dollar index) perdeu 10%, podemos dizer que a valorização das acções reflecte em parte uma arbitragem eficiente em relação ao factor moeda base das cotações, sendo o valor sobejante a verdadeira valorização dos activos pelo seu próprio mérito, tal como o mercado o define.
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A nova estratégia do PC Chinês contempla a frase “enriquecer é glorioso” e é para ser levada a sério.
[...] Reinflacionar ou morrer!
Para os EUA, era fundamental baixar o valor da moeda, mesmo jurando aos Deuses que não era isso que se pretendia. Afinal, do ponto de vista histórico, o dólar não estava nada fraco – e, pasme-se, ainda não está. Este plano começou a dar frutos à medida que a guerra no Iraque se aproximava do desfecho, sendo que o dólar em abundância começou logo a se “transformar” em algo que compensasse a perda de valor. Como sabemos, a moeda americana perdeu valor contra tudo o que existe que seja transaccionável. Isto explica o novo boom de parte da Economia mundial. Se no final da década de noventa os EUA foram responsáveis pela maioria do crescimento mundial do PIB, hoje, são responsáveis pelo crescimento das Economias que mais têm ligações comerciais com eles.
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Como foi fácil de verificar pelo que ficou dito acima, o mercado poderá este ano dar preferência a hard assets (incluindo algumas acções) e despejar os chamados papéis (tipo dívida pública e acções de empresas sem lucros), aplicando-se o mesmo princípio às moedas que “pagam” mais.
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