Autor: João Henriques
Data: 22-01-2004 04:06
A situação do café é mais complicada do que de outras matérias-primas, existe uma guerra entre distribuidores e produtores, e estão metidas ao barulho organizações não governamentais. O que acontece é que existe um excesso de oferta de café de 540 mil quilogramas por ano, ou seja, 8%, e então milhares de agricultores morrem à fome porque os preços a que lhes compram o café não dá para pagar despesas, mas os grandes distribuidores, chamados "Big Four", Procter & Gamble, Kraft, Sara Lee e Nestle, conseguem margens muito elevadas, entre 17 e 26%, e retirar grandes lucros.
A evolução do preço do café começou a ver algumas alterações em Setembro de 2002 quando foi lançada uma campanha a nível mundial denominada “What’s That in Your Coffee?”, pela Oxfam, e que propôs um plano de salvamento, o Coffee Rescue Plan, que tem como objectivo a existência de café certificado e equilibrar a oferta com a procura. Os preços do café reagiram na altura em alta subindo dos 45 para os 70 cêntimos, mas desde essa altura têm evoluido lateralmente.
Até 1989 o mercado do café era regulado pelo ICA (Acordo Internacional de Café), no qual os governos dos países produtores e consumidores acordavam em manter um pré-determinado nível de oferta assente em quotas de exportação dos países produtores. O preço apesar de volátil tentava-se manter entre 1,2 e 1,4 dólares libra-peso. No entanto, em 1989, o desacordo entre membros relativo a quotas de produção, e com a saída dos Estados Unidos, o ICA chegou ao fim.
A descida dos preços do café sofreu com a abertura económica do Vietname, que passou a figurar no segundo lugar do ranking de produtores, e o aumento de produção por parte do Brasil. O mercado de consumo tem, no entanto, estado estagnante ou com um crescimento muito pequeno, esperando-se, no entanto, que a Europa de Leste possa vir a ser um dos pilares de crescimento deste produto.
João Henriques
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