Bolsa brasileira cai mais de 6% com receios sobre juros e fuga de capitais
A bolsa brasileira registou hoje uma desvalorização máxima de 6,27%, com os investidores receosos com a fuga de capitais do mercado bolsista da maior economia da América Latina e com os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
A bolsa brasileira registou hoje uma desvalorização máxima de 6,27%, com os investidores receosos com a fuga de capitais do mercado bolsista da maior economia da América Latina e com os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O Bovespa, principal índice de acções da Bolsa de São Paulo, seguia a descer 5,45%, atenuando uma desvalorização máxima de 6,27%. Nas últimas sessões o índice tinha atingido recordes históricos e no último trimestre de 2003 cresceu mais de 30%.
Os juros e o receio de fuga de capitais estrangeiros são as principais razões apontadas pelos operadores para justificar os momentos de nervosismo que se viveram na bolsa brasileira.
O Banco Central do Brasil assinalou hoje que está preocupado com os níveis de inflação elevados da economia, sugerindo que não vai continuar a baixar as taxas de juro, como fez ao longo dos últimos seis meses.
Foram hoje divulgados os comentários proferidos na última reunião do Banco Central do Brasil, onde este deixou inesperadamente o preço do dinheiro nos 16,5%. A subida dos preços em Dezembro pode sinalizar "uma aceleração persistente da inflação", disse o banco.
Com uma elevada taxa de juro os investidores contavam com uma descida do preço do dinheiro para reanimar os investimentos e a economia brasileira, explicando as fortes valorizações das acções nas últimas semanas.
Agora, com uma menor perspectiva de juros mais baixos no Brasil, assiste-se a uma fuga de capitais estrangeiros da bolsa brasileira, explicando as quedas acentuadas de hoje.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros os contratos de futuros sobre os juros para Julho subiam 1%, projectando uma taxa anual de 16,11%. Actualmente os juros estão em 16,5% e os investidores contavam com mais cortes nos próximos meses.
Fed penaliza mercados emergentes
Para além dos comentários hoje conhecidos do banco central brasileiro, a Reserva Federal indicou ontem que poderá subir os juros nos Estados Unidos mais cedo que o antecipado, ao deixar de prometer manter a actual política monetária (de manutenção de juros) por "um período considerável".
Estas declarações tiveram um impacto significativo nos mercados accionistas mundiais – os índices de acções europeus desceram mais de 1% - e sobretudo nos mercados emergentes. O índice de acções da bolsa da Argentina caia cerca de 3%.
Um índice que mede o risco das economias – o risco-país – atingiu hoje o seu valor mais elevado do ano para o Brasil e chegou a atingir uma subida de 18%.
Também no mercado cambial o dólar chegou a atingir uma subida de 2,24% face ao real brasileiro, com cada moeda americana a comprar 2,9725 reais.
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