Qualquer que seja o domínio de actividade que se considere, encontramos excelentes profissionais em Portugal. Isso acontece tanto na administração de empresas, como na medicina, na advocacia, nas áreas ditas científicas, e também nas artes e no espectáculo, não esquecendo o desporto (em algumas das suas modalidades) e até, não nos admiremos, na própria política.
Se analisarmos esta situação sob o aspecto da sua importância ou do relevo internacional das actividades desenvolvidas, constataremos que muito poucos são conhecidos noutros continentes, sem prejuízo da sua qualidade.
De qualquer modo, e embora em número muito reduzido, existem alguns portugueses com efectiva notoriedade mundial relacionada com a sua actividade profissional e que conseguiram até reconhecimento público fora da sua área específica de actuação.
Portugal terá sem dúvida potencialidades para muito mais, embora sempre de forma subordinada ao nível de formação e ao número de técnicos, cientistas, executantes, entre outros, de elevada craveira de que possamos dispor. Desde que haja uma boa base, da quantidade virá certamente a qualidade.
Mas há um caso fora do comum, pouco analisado na sua verdadeira dimensão. Estou a referir-me ao treinador de futebol Carlos Queiroz, que é o responsável técnico da equipa do Real Madrid, talvez o maior clube e a melhor equipa de futebol do mundo.
O futebol está na ordem do dia, por boas, más ou infelizes razões, mas não deixa de ser o reflexo de uma sociedade, ao mesmo tempo que espelha também a sua organização, as suas limitações e, porque não, as suas capacidades.
Os treinadores de futebol dos clubes mais importantes do mundo são autênticos gestores profissionais de alto nível. Antes de tudo o resto, são exímios administradores de recursos humanos, de longe o seu activo mais importante, tendo a tarefa de colocar a trabalhar em harmonia um conjunto de jogadores de capacidade muito elevada, mas de formação muito variada e de proveniência e cultura muito diferenciadas. Ainda para mais, como artistas que são, todos eles põem certamente problemas adicionais derivados do seu estatuto de estrelas mais ou menos brilhantes.
Esses treinadores de elite deverão ser também excelentes no estabelecimento da estratégia da equipa, com a definição de objectivos claros e precisos, delineando adequado plano de acção para atingir o sucesso desejado. Como outras qualidades também muito importantes e fundamentais, podem indicar-se a capacidade de liderança em todas as situações e a inteligência emocional para aguentar o stress permanente.
Ora Portugal tem pouquíssimos bons treinadores de futebol de nível internacional, os quais aliás estão quase todos no estrangeiro. No nosso país, exceptuando o actual treinador do Futebol Clube do Porto, com capacidade para maiores voos mas ainda “muito verde”, os treinadores portugueses têm, na sua esmagadora maioria, uma qualidade modesta e até medíocre.
É assim muito surpreendente que, de um universo tão diminuto e de nível geral fraco, tenha surgido um treinador de primeira linha como Carlos Queiroz, sucessivamente escolhido por selecções e clubes estrangeiros cada vez mais importantes.
Acho que é um caso de nos congratularmos como portugueses e de desejar bom trabalho a este gestor de topo, que ele é na verdadeira acepção da palavra.
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