Desde o lançamento do euro em 1 de Janeiro de 1999, o BCE já interviu quatro vezes, mas todas com o objectivo do euro não desvalorizar mais. Vivia-se o ano 2000 e o BCE estava preocupado com os efeitos inflacionistas de desvalorização do euro e também com a confiança dos investidores na nova moeda. A sua intervenção apanhou o mercado de surpresa e teve efeitos de curto prazo imediatos.
Actualmente, muitos analistas concordam que o BCE precisa, ou de intervir novamente, desta vez para parar a valorização do euro, ou cortar as taxas de juro para dar novo impulso à economia. Ontem o presidente do BCE não deu nenhuma indicação que isso possa acontecer e mostrou-se confiante na retoma económica da zona euro e na estabilidade dos preços. Os investidores aproveitaram as suas palavras de confiança para comprarem euros e levá-lo novamente para valores na casa de 1,28. Continuo a ser da opinião que os investidores vão testar o limite, vão querer saber até onde podem levar o euro para que o BCE actue de algum modo, provavelmente acima de 1,3.
Segundo um estudo do BCE (Foreign Exchange Intervention and the Euro: Institutional Framework, News and Intervention), com base nas intervenções do ano 2000, os rumores de uma intervenção do BCE têm um efeito de 0,24% (aprox. 30 pips) na evolução do euro, enquanto que a confirmação de uma intervenção move o euro em 0,66% (aprox. 85 pips).
Provavelmente quem não investe no mercado cambial considera estas variações insignificantes, mas quem investe e usa alavancagens de 50 ou 100 vezes compreende o peso de uma intervenção de surpresa.
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