A minha humilde opinião é que actualmente no panorama da actividade dos mercados de capitais falta um «trigger», um motivo que provoque uma alteração do momentum bullish actual e que motivo, não é qualquer motivo que consegue alterar o movimento ascendente e de alguma euforia que se espalha pelos mercados internacionais a olhos vistos.
Sem quer cair na tentação de fazer futurologia e opor-me em relação á tendência e vontade dos mercados actual, queria no entanto deixar aqui duas possíveis causas ou motivos que poderão ameaçar de alguma forma e colocar «travão» à ascensão dos mercados a médio-prazo:
- Actualmente a maioria dos intervenientes que estão comprados no mercado, tem como assegurado que o presidente Bush vai novamente ser reeleito em Novembro deste ano e prosseguir para um 2º mandato levando a cumprir o seu programa económico de redução de impostos nomeadamente para a classe-alta empresarial, uma vez que administração do Bush acredita que facilitando actividade económica de quem possui riqueza é o meio para melhorar as dificuldades económicas do consumidor médio americano, grosso modo é o mesmo que acreditar que riqueza gera riqueza e que são os ricos que enriquecem os pobres através do investimento. Acreditam que era possível uma política semelhante em Portugal ou na Europa?!
Se a reeleição do Bush estiver em causa acredito que os mercados poderão «levantar o pé» e assistirmos a uma arrefecimento nos principais índices, pondo água na fervura do optimismo actual.
- A taxa de desemprego não dá sinais de melhoria e nos últimos 2 meses os pedidos de subsidio de desemprego revelaram novamente um ligeiro aumento da tendência. Actualmente é perfeitamente visível que as empresas norte-americanas e não só apresentam bons índices de resultados, alguns até positivamente surpreendentes. Só que a procura de mão-de-obra não evolui, ou seja não existiu até ao momento. Esta situação na minha opinião não é nada estranha, se tivermos em conta que ao longo dos últimos 3 anos a política de emagrecimento de custos das empresas face ao enfraquecimento económico foi através da redução de mão-de-obra (despedimentos), e redução do excesso dos stocks. Na industria de aeronáutica adivinham-se nova vaga de despedimentos nomeadamente na Europa através de fusões entre os grandes grupos, assim como perspectivam-se outras grandes fusões em outros sectores industrias sem que seja referido novas oportunidades de emprego para o consumidor. O avanço tecnológico foi enorme e tão rápido ao longo da ultima década que na globalidade das necessidades e prioridades das empresas o factor mão-de-obra foi de alguma forma suprimido o seu peso. Por outro lado o sector industrial está actualmente à procura de novos mercados/paises carentes de investimento e de crescimento económico que proporcionam ás empresas grandes lucros e maior crescimento. Prova disto é o exemplo da Volkswagen que encontrou na China um paraíso e a oportunidade de crescer a índices que muito dificilmente encontraria em qualquer outra parte do globo. Segundo os últimos relatórios da empresa, a venda de automóveis na China ultrapassou de forma surpreendente as vendas na Alemanha, actualmente a empresa tem uma unidade fabril em território chinês e pondera abrir mais duas unidades a médio-prazo de forma a satisfazer o aumento de procura no mercado asiático e até fornecer para a Europa a custo substancialmente mais baixo. Quais serão as oportunidades futuras do consumidor Europeu?!
Este texto já vai longo e como tal fico-me por aqui com estes dois exemplos que na minha opinião a médio-prazo poderão estar na mente dos intervenientes dos mercados.
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