A questão que se põe hoje é se o BCE, às 12:45, irá descer as taxas de juro em 25 pontos base dos actuais 2% para 1,75%. Em princípio essa descida não irá acontecer, logo as atenções focar-se-ão no que Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, dirá na conferência de imprensa que se segue à decisão, de modo a retirar-se alguma pista face a uma possível descida nas próximas reuniões, em Maio ou Junho. Muitos analistas apontam também como uma probabilidade de apenas 30 a 40% de isso vir a acontecer. Os futuros da Euribor 3 meses para Junho04 estão em 98,125, implicando uma taxa de juro de 1,875%.
As especulações sobre uma possível descida das taxas de juro iniciaram-se a semana passada com uma frase de Trichet: "Nós estamos vigilantes e alerta. No caso das nossas expectativas de reforço do consumo privado e procura em geral não se materializarem, nós alteramos a nossa análise, em linha com a nossa estratégia de política monetária." Além desta frase, foi divulgado na Alemanha os índices de confiança, os quais desceram e criaram preocupações de crescimento na maior economia europeia.
É preciso notar que a zona euro tem crescido muito abaixo dos seus concorrentes, como os Estados Unidos ou o Japão, e o consumo privado continua anémico e a produção industrial a não arrancar. No quarto trimestre do ano passado a zona euro cresceu apenas 0,3%, enquanto que os EUA cresceram 1% e o Japão 1,7%. O consumo privado cresceu apenas 0,1% e em Janeiro a produção industrial caiu 0,4%.
As estimativas, apesar de apontarem para um reforço da economia, continuam a ser de um crescimento muito fraco, apontando para 0,3% e 0,7%, no primeiro e segundo trimestre do corrente ano, respectivamente. O índice de clima económico divulgado ontem apresentou a segunda descida pelo segundo mês consecutivo e a confiança dos consumidores permaneceu inalterada.
Ao nível dos preços, ontem foi divulgado a estimativa de inflação para Março, a qual é de 1,6%, o esperado era 1,7%, o número é igual ao do mês de Fevereiro e é o terceiro abaixo dos 2% de objectivo do BCE. Além disso na Alemanha, a inflação ficou em apenas 0,8% no mês de Fevereiro.
Mas se tivermos em conta a parte monetária, os últimos dados de Fevereiro, continuam a mostrar um elevado crescimento do M3, em 6,3%, muito acima dos 4,5% de objectivo do BCE. Além disso, os empréstimos para compra de casa continuam a crescer fortemente, 8,5%, e o crédito ao consumo cresceu 5%, subindo de 3,9% em Janeiro. Estes números poderão indicar um reforço do consumo e por isso o BCE irá esperar por novos dados até actuar.
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