Penso que o mais importante que ficou destes dois dias com discursos de Alan Greenspan é o facto de as preocupações com a deflação estarem praticamente terminadas, mas também o facto de não haverem para já receios de subida de inflação, no entanto, Greenspan foi preparando o mercado para um novo ciclo de subida das taxas de juro.
"More broadly, however, although the recent data suggest that the worrisome trend of disinflation presumably has come to an end, still-significant productivity growth and a sizable margin of underutilized resources, to date, have checked any sustained acceleration of the general price level and should continue to do so for a time."... "As I have noted previously, the federal funds rate must rise at some point to prevent pressures on price inflation from eventually emerging."
Do lado positivo temos a subida da criação de emprego em Março, muito acima das expectativas 308 mil empregos criados versus 120 mil esperado, e a inflação também acima das expectativas, 0,5% versus 0,3%, especialmente a core inflation, que não conta com os preços da comida e energia, e que tem vindo a recuperar e subiu de 1,1% para 1,6% nos últimos três meses.
Do lado negativo temos o facto da produção industrial ter sido abaixo do esperado, -0,2% versus 0,3%, a capacidade de utilização continuar apenas em 76,5%, abaixo da média da década de 90 e do nível considerado inflaccionista, e da confiança dos consumidores ter sido também abaixo do esperado, 93,2 versus 97.
Mas a questão da subida das taxas de juro nos Estados Unidos não se põe somente devido a pressões inflaccionistas, põe-se devido ao facto de as taxas estarem em apenas 1% e a inflação em 1,7%, o que se traduz em taxas reais muito negativas, ou seja, muito acomodativas para a actividade económica e que permitem que as taxas de juro subam sem terem efeitos negativos na economia.
Por comparação podemos salientar que em 1993/1994, periodo de recuperação da recessão económica de 1991, as taxas de juro foram negativas em apenas 0,2%.
Actualmente as previsões apontam para subida das taxas de juro em Agosto, o que em minha opinião estará correcto, já que o Fed é capaz de querer aguardar por sinais que confirmem a sustentabilidade da recuperação, como o reforço da produção industrial, a manutenção da criação de emprego e o aumento dos custos do trabalho, e do mesmo modo por definitivamente de lado os receios de deflação.
O facto de haver eleições em Novembro, penso que não será impeditivo para um aperto da política monetária, em minha opinião, até é uma mensagem positiva porque demonstra que a economia se está a fortalecer.
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