Chamo a atenção para o facto de que um aumento de produção, nesta altura do campeonato, apenas terá um efeito temporário no preço. Os países da OPEP já se encontram com níveis muito elevados de produção, sendo a Arábia Saudita o único país com capacidade para colocar rápidamente mais crude no mercado. Ainda assim, é preciso não esquecer que todos os países da OPEP estão actualmente a exceder as quotas estabelecidas na última reunião da OPEP.
Parece-me que este anúncio da Arábia Saudita não vai ter o feito desejado sobre o preço uma vez que o problema está nas refinarias. Estas encontram-se no seu limite máximo de produção (sobretudo as refinarias norte-americanas) e com a época de férias à porta (onde o consumo de gasolina nos EUA normalmente dispara) parece pouco provável uma descida do preço da gasolina - o preço do crude até pode baixar qualquer coisa ao contrário do da gasolina que se deverá manter elevado.
Por outro lado, estando a OPEP com níveis de produção próximos do máximo, qualquer atentado terrorista a uma infraestrutura saudita teria efeitos devastadores no curto prazo. E este é um factor que está a infuenciar o preço no sentido da subida.
Provavelmente vários países estão a aumentar as suas compras de crude (fazendo por isso subir o preço), com a intenção de aumentar os seus stocks de emergência, para se precaverem contra eventuais quebras de fornecimento. Os EUA deverão, com muita probabilidade, ser o principal causador desta explosão no preço do petróleo - não esquecer que estamos em ano de eleições e uma falta de crude no mercado seria sentença de morte nas aspirações do G.W. Bush.
O mercado do crude é, nesta altura, um mercado de especuladores. O que me parece importante é que tenhamos consciência de que preços abaixo dos $30 - $32 dificilmente vamos voltar a ver. A forte procura associada à deficiente cadeia de distribuição de crude e à incapacidade para aumentar a transformação do mesmo (refinarias) fazem prever preços médios acima dos $35 no futuro.
A solução é o investimento na construção de novas refinarias e na construção de novos navios petroleiros (de casco duplo, para fazer face ao abate mais do que certo de todos os petroleiros de casco único).
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