A memória dos investidores é um tema muito interessante mas que dificilmente justifica movimentos de mercado. Ela é curta e os acontecimentos passados tendem a ser desvalorizados pelo simples facto de já terem ocorrido. Recusando-se a acreditar que «a História repete-se!», os investidores acabam invariavelmente por cometer os erros do passado. Defendendo-se deste argumento, os investidores afirmam que, desta vez, as coisas são diferentes e que novas variáveis são usadas como responsáveis pelas decisões de investimento.
Nos últimos seis meses, os mercados accionistas já foram influenciados por três variáveis distintas: começou com a evolução do euro, passou para a questão da eminente subida das taxas de juro e, neste momento, pela evolução dos preços do petróleo.
Contudo, todas estas variáveis não são novas e a sua influência nos mercados dissipa-se com a mesma rapidez com que vão surgindo no espírito dos investidores. Nesta linha de pensamento, considero que o actual nível dos mercados apresenta-se como um óptimo momento de entrada.
Os problemas geopolíticos têm servido de desculpa para vender posições. Mas uma coisa é certa, o actual cenário, assim como a subida dos juros, já não constituem qualquer surpresa para os investidores.
A juntar a tudo isto surgiram vários sinais que podem ser considerados encorajadores - a administração Bush veio dizer que não iria utilizar as reservas estratégicas de petróleo, ao mesmo tempo que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reconheceu que uma subida das quotas de produção não iria ter impacto no preço do crude. Em condições normais, estas afirmações seriam suficientes para conduzir a novas valorizações do petróleo, um fenómeno a que não se assistiu. As bolsas asiáticas recuperaram, depois de uma semana complicada e os mercados americanos, apesar de todas as preocupações, aguentaram também níveis de suporte fortes. Os níveis de cash disponível também aumentaram substancialmente nas últimas semanas, depois de termos assistido a alguma capitulação.
Se aliarmos isto tudo ao facto do sentimento dos investidores estar muito depressivo e das bolsas não estarem a cair de forma significativa, podemos concluir que esta poderá ser mesmo uma boa altura para aumentar o peso de acções nos portafólios.
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