O que se passa aqui é um pouco mais complexo do que possa parecer à primeira vista.
Não sei até que ponto a CMVM está a actuar de forma transparente e em complacência com um estado de direito.
Se formos ver bem, a actuação da CMVM ao longo dos últimos anos é muito questionável. Em centenas de ocasiões, o mercado funcionou de forma pouco transparente, os intermediários financeiros do nosso país agiram de forma não controlada e ferindo gravemente todos os pequenos investidores.
Lembrem-se por exemplo de fortes recomendações de compra e de price targets lançados por empresas como o BES, por exemplo de PTM a 160 euros, Pararede no céu, etc.
Lembrem-se de muitos pequenos investidores que ficaram monetariamente afectados com constantes falhas do sistema informático da Bigonline, ActivoBanco7, etc
Lembrem-se de exagerados preços de OPV´s , oferecendo livre, abertamente e com grande publicidade, títulos que como dizia o nosso Cavaco eram “gato por lebre”. Basta pensar nas erradas avaliações de empresas como Impresa, Novabase, Pararede, etc.
Vejam quanto dinheiro foi “legalmente” transferido dos bolsos dos pequenos investidores, para os bolsos dos “grandes senhores de Portugal”.
Onde este a CMVM no meio disso tudo ????
Esteve sempre ao lado dos grandes senhores.
Pensem agora no presente, no mau clima económico de Portugal, na pouca competitividade dos nossos intermediários financeiros comparativamente com o resto do mundo.
Pense também no movimento de transferências de capitais que existe de Portugal para instituições financeiras internacionais (todas elas não registadas na CMVM).
Quem beneficia desta transferência de capitais ?
O pequeno investidor, que consegue agora investir pagando menos, com melhores sistemas informáticos de trading e com maior segurança técnica.
Em média, as comissões em Portugal, por exemplo no mercado de futuros são 400% mais caras do que numa corretora Estrangeira.
O pequeno investidor abriu os olhos, e viu que à distância de um click, o mesmo click que faz no Banco7 ou na Big, tem mais opções, mais baratas, melhores e mais rápidas.
Quem perde nesta transferência de capitais ?
Todas as grandes corretoras, bancos e instituições financeiras.
Há perigos no meio disto tudo, mas são os mesmos perigos que enfrentamos cá em Portugal.
Eu tive problemas numa corretora Nacional online, que não vou mencionar o nome, perdi vários milhares de euros por uma falha do site em questão, tentei inúmeras vezes ser indemnizado por isso, contactei a CMVM, e desde então (vários anos) o lesado fui e serei sempre eu, um pequeno investidor como muitos outros.
Lá fora também há perigos como por cá, falando de uma das entidades “não autorizadas”, tive um problema semelhante, a diferença foi que com uma troca de 3 emails, restituíram-me o dinheiro em questão e ainda me indemnizaram de forma espontânea para que eu acreditasse na sua tranparência.
A CMVM alega que está a actuar em prol da defesa do pequeno investidor, mas cada um interpreta esta situação como quer. Desde quando a CMVM actua em prol do pequeno investidor ? Quem beneficia com esta atitude da CMVM ?
Onde está o nosso estado de direito e liberdade ?
É ilegal um cidadão residente em Portugal operar capitais no Uruguai, Ilhas Virgens, América ou qualquer parte do mundo ?
É ilegal termos conhecimento da existência de corretoras não registadas na CMVM ?
O que está a acontecer é que a CMVM está a encontrar meios de bloquear informação que pode ser do interesse do pequeno investidor. Está a fazê-lo de forma pouco transparente, alegando argumentos que não fazem sentido e sem apontando provas concretas.
Nos seus comunicados, a CMVM mostra apenas que as corretoras em questão não estão registadas na CMVM nem autorizadas a operar em Portugal.
Mas cada uma dessas corretoras, estão a operar nos seus países de origem e até prova em contrário de forma legal.
Sites como o Clubeinvest e o Caldeirão de Bolsa, etc, prestam realmente um bom serviço aos pequenos investidores. Neles se aprende muita coisa, se troca muita informação preciosa e se conhecem outros investidores. A atitude correcta das autoridades seria fomentar e quem sabe subsidiar iniciativas como estas, já que estes projectos desempenham um papel importante e não prestado pelas entidades estatais.
O que aconteceu com o Clubeinvest, poderá acontecer com outros sites ou empresas que possam “afectar” o lucro dos “grandes senhores de Portugal”.
O meu voto de solidariedade com todos os prejudicados neste processo.
O Clubeinvest.com informa que nenhuma da informação
aqui facultada deverá ser entendida como conselho ou recomendação
de qualquer tipo de transacção ou investimento.