Jerónimo Martins admite devolver metade dos lucros aos accionistas
A Jerónimo Martins admite a possibilidade de vir a distribuir metade dos resultados líquidos do actual exercício em dividendos, depois de um período de três anos em que a segunda maior distribuidora nacional atravessou um processo de reestruturação que levou à venda de activos e a um aumento de capital para reforçar o balanço.
A Jerónimo Martins admite a possibilidade de vir a distribuir metade dos resultados líquidos do actual exercício em dividendos, depois de um período de três anos em que a segunda maior distribuidora nacional atravessou um processo de reestruturação que levou à venda de activos e a um aumento de capital para reforçar o balanço.
O cenário de remuneração aos accionistas no próximo ano já havia sido avançado pela empresa na apresentação dos resultados anuais de 2003, ano em que a companhia ainda então liderada por Soares dos Santos apresentou o segundo melhor desempenho de sempre, com lucros líquidos de 58 milhões de euros.
Luís Palha (na foto), o presidente executivo em funções desde finais de Abril, veio relembrar que a política de «payout» - rácio que mede a percentagem dos resultados distribuídos em dividendos – aponta para a distribuição de entre 40% a 50% dos resultados consolidados ordinários, ou seja, excluindo itens extraordinários.
«Deve seguir-se a política de estabilização de pagamento de dividendos ao nível de ‘payout’», após uma interrupção de três anos, afirmou Luís Palha aos jornalistas numa visita à Madeira. «Por isso», continuou, poderão ser distribuídos até 50% dos resultados obtidos» este ano.
«Estamos de regresso à normalidade», assegurou o mesmo responsável.
A Jerónimo Martins pagou dividendos pela última vez em 1999, ano em que os accionistas foram contemplados com 0,30 euros (60 escudos) por acção, com um payout de 59,7%
Acções da JM nos últimos seis meses
Dois problemas resolvidos de uma só penada
A devolução de dinheiro aos accionistas em 2005 ocorrerá cerca de um ano depois da empresa ter solicitado aos investidores 150 milhões de euros através de um aumento de capital, operação que se encontra, actualmente, em fase de finalização.
O encaixe, que culminará num capital social de 629 milhões de euros, será utilizado «para reforçar o balanço», segundo a empresa, o que significa uma reestruturação de uma dívida consolidada que atingia cerca de 700 milhões de euros no final do ano passado.
Com a renegociação da maturidade da dívida quer de longo prazo – obrigações – quer de curto prazo – papel comercial – a empresa prevê reduzir o custo da dívida dos actuais 4% a 5% para um valor inferior, o que se traduzirá igualmente numa melhoria dos respectivos «ratings».
Este efeito resultará, adicionalmente, numa melhoria do «gearing» da empresa, ou seja, o rácio entre a dívida e o capital investido, explicou a mesma fonte, sem quantificar.
«Com esta operação, resolvemos dois problemas de uma só penada», disse Luís Palha.
Na sequência da reestruturação da dívida, a Jerónimo Martins admite a possibilidade de ver a sua dívida classificada pelas agências de «rating» internacionais, como a Moody’s, Standard & Poor’s ou Fitch, uma medida que traria uma «maior transparência» das contas da companhia junto do mercado.
A política de investimento do grupo nos próximos anos aproveitará entre 30% a 40% do «cash flow» operacional gerado, que se deverá traduzir em 130 a 150 milhões de euros por ano para abrir lojas na Polónia e renovar unidades em Portugal.
Jerónimo Martins admite devolver metade dos lucros aos accionistas
notíCIas_pt
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24-06-2004 03:41
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