O Governador do Banco de Portugal insistiu ontem na advertência de que a situação orçamental é «seríssima» e que as dificuldades prosseguirão «nos próximos anos» para concluir que não há, no médio prazo, outra alternativa que não passe pela redução do défice orçamental.
O Governador do Banco de Portugal insistiu ontem na advertência de que a situação orçamental é «seríssima» e que as dificuldades prosseguirão «nos próximos anos» para concluir que não há, no médio prazo, outra alternativa que não passe pela redução do défice orçamental.
Vítor Constâncio, que falava numa conferência da Ordem dos Economistas sobre os «Desafios da Economia portuguesa», voltou, por isso, a desaconselhar vivamente o Executivo a baixar impostos, a menos que a perda de receita seja integralmente compensada por cortes equivalentes na despesa pública.
Isto porque é «fundamental» recuperar a função anti-cíclica da política orçamental e impedir que a défices crónicos ameacem o crescimento económico futuro.
Ao invés, o Governador aconselhou implicitamente o novo Governo a apontar baterias para reformas de fundo em quatro sectores-chave – Educação (mostrou-se inclusive favorável ao aumento da escolaridade obrigatória para o 12º ano), Justiça, Investigação e Administração Pública – sem as quais Portugal estará condenado a «vegetar numa relativa mediocridade».
«Não é impossível um cenário em que Portugal mantenha um crescimento relativamente moderado, sem convergir para a média da EU», avisou. O Banco de Portugal prevê que a economia cresça 1,25% este ano e 1,75% em 2005.
Quanto ao perfil da recuperação, Constâncio frisou que o «salto» terá de vir das exportações; na medida em que a procura interna continuará necessariamente condicionada pelo elevado nível de endividamento dos agentes privados.
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