Caro Sol Dado, não pondo em questão as Ciências Económicas, não deixo de achar curioso que, frequentemente elas dão resposta a cenários passados mas as múltiplas variáveis que intervêm no processo não são assim tão simples.
Quanto ao investimento público, não creio que com os actuais níveis de dívida pública, sobretudo nos EUA, se possa fazer algo no curto prazo.
As taxas de juro estão em níveis perigosamente baixos, logo o "raio de acção" dos bancos centrais é reduzido. Importa dizer, e já que referiu Keynes, que o ciclo expansão-inflação-subida das taxas-arrefecimento não foi tão linear assim desta vez. Pela 1º vez o crescimento foi efectuado com uma inflação controlado e com subidas moderadas das taxas de juro. Assim quando foi necessário novamente aliviar a pressão, os efeitos foram os que se viram. Um corte de 6 para 5 % é efectivamente pouco eficiente comparado com os cortes de 14 para 10% efectuados noutros ciclos.
Quanto à política fiscal, ela é possível se o Estado o puder fazer. Poderá neste momento com a facilidade de outros tempos ?
E injectar mais liquidez nesta fase será acertado. É que esta pode ser contrapruducente , com uma desvalorização acentuada da moeda.
A última crise petrolífera aconteceu em pleno ciclo de crescimento sustentado (dou enfâse ao termo). Qual o impacto do preço do crude se este fôr até aos 52/55 $US até ao fim do ano ?
Uma última variável cujo peso irá ser cada vez maior na capacidade de intervenção do Estado : a diminuição da força trabalhadora e o aumento dos reformados, com reformas cada vez mais elevadas, e com uma duração cada vez mais prolongada. "Lá fora" a situação é tendencialmente ainda mais grave, já que graças ao crescimento dos índices salariais na última década, cada vez mais trabalhadores criam condições para se reformarem mais cedo.
Claro que isto para o curto prazo vale o que vale. :-)
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