Rebelo de Sousa denuncia condicionamento por parte de Paes do Amaral
Marcelo Rebelo de Sousa assumiu hoje que houve «condicionamento» de Miguel Paes do Amaral sobre os seus comentários políticos, expressos uma vez por semana na TVI, defendendo que o presidente da mesma estação privada lhe conferiu duas semanas para alterar a orientação das suas opiniões, alegando a entrada «inesperada» da RTL no capital social da ‘holding’ Media Capital como justificação para a urgência da data.
Marcelo Rebelo de Sousa assumiu hoje que houve «condicionamento» de Miguel Paes do Amaral sobre os seus comentários políticos, expressos uma vez por semana na TVI, defendendo que o presidente da mesma estação privada lhe conferiu duas semanas para alterar a orientação das suas opiniões, alegando a entrada «inesperada» da RTL no capital social da ‘holding’ Media Capital como justificação para a urgência da data.
O antigo líder do Partido Social-democrata (PSD) defendeu hoje perante a Alta Autoridade da Comunicação Social, que foi convidado por Paes do Amaral, presidente da Media Capital e da estação TVI, a «repensar a orientação» das suas opiniões, que semanalmente, ao domingo, expressava durante o Jornal Nacional, até ao passado dia 3 de Outubro.
Marcelo Rebelo de Sousa adiantou ainda que, durante um jantar realizado a 5 de Outubro, o presidente da TVI – na primeira e única conversa sobre «orientação política» que registou em 4,5 anos entre ambos – lhe deu «o prazo de duas semanas» para mudar a orientação das suas opiniões.
Finalmente, Rebelo de Sousa adiantou que Paes do Amaral lhe explicou que a «urgência do convite à mudança de orientação» dos seus comentários, se devia ao facto da RTL (grupo Berstelsmann) ter «acabado de tomar uma posição inesperada» no capital da Media Capital e que, na sua sequência, o presidente da TVI iria empreender várias alterações no canal de televisão privado – para as quais aliás, pedia a opinião do professor de Direito.
Marcelo Rebelo de Sousa considerou então que tal conversa demonstrava «um condicionamento e falta de confiança» no seu trabalho por parte de Paes do Amaral e que logo aí, durante o jantar, anunciou que seria «impossível» da sua parte satisfazer o desejo expresso pelo presidente da TVI, optando pela «solução radical» da saída – apesar deste ter contraposto uma eventual «solução temporária», que passaria por uma suspensão dos seus comentários ou por um «congelamento da sua [Paes do Amaral] decisão» após um período de reflexão.
«Uma vez havida a conversa», Rebelo de Sousa considerou contudo que «nada seria como antes». Uma vez que «o presidente da empresa onde trabalho deu a sua visão da empresa, da televisão e do meu trabalho – para quê continuar?», questionou, sublinhando que nunca tinha vivido situação semelhante, nem nos 4,5 anos em que foi comentarista na TVI, nem nos restantes anos em que expressou a sua opinião na TSF, no Expresso ou em qualquer órgão de comunicação social.
Decidiu portanto abandonar a parceria com a TVI, decisão anunciada a 6 de Outubro.
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