Mais de metade da potência deles está em Portugal e eles são uma empresa espanhola. A concorrência na área das energias alternativas está forte.
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Primeiro "cluster" eólico nacional nasce em Viana do Castelo
Ana Peixoto Fernandes
PÚBLICO
Um consórcio liderado pela Enercon, a segunda maior empresa, a nível mundial, na venda de bens e serviços para o sector da energia eólica, vai arrancar no próximo ano com a construção de uma fábrica nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).
Numa fase inicial, esta unidade industrial vai construir pás para aerogeradores, empregando cerca de 170 trabalhadores, e "implicar um investimento de cerca de 15 milhões de euros". Contudo, o objectivo do projecto - que tem o aval do Ministério da Economia e envolve também o Ministério da Defesa por cedência do terreno nos ENVC - é bem mais ambicioso, porque se pretende que a produtora a instalar em Viana do Castelo passe, numa fase posterior, a construir os aerogeradores completos, constituindo-se assim como a "fábrica-mãe" do primeiro "cluster" eólico em Portugal.
Carlos Pimenta, dinamizador do movimento que dará origem ao que o próprio designa por "constelação" de empresas em torno do sector da produção de energia eólica nacional, explicou ao PÚBLICO que a ideia é instalar nos estaleiros de Viana uma nova unidade fabril com "engenharia de ponta" que fabrique um "produto industrial de alto valor acrescentado".
Cada máquina construída pela Enercom terá uma capacidade para dois megawatts (MW) e custará, em média, dois milhões de euros. Em paralelo, desenvolver-se-á uma estratégia de associação de empresas ligadas ao sector em Portugal que, reunindo "diversas especialidades", possibilitem que se evite o recurso ao mercado internacional para a aquisição de equipamentos necessários à instalação de parques eólicos.
Assim, referiu Pimenta, ao projecto delineado para Viana está também subjacente a necessidade de dinamizar e impulsionar o crescimento do "fraco" mercado nacional dos fornecedores de bens e serviços ligados à produção de energia eólica. A meta, afirma, é que, "no total, a parte feita em Portugal possa subir significativamente, pelo menos, até aos três quartos de incorporação nacional".
Por outro lado, Carlos Pimenta entende que a criação, no país, de "uma cadeia de valor acrescentado e de fornecimento" do referido sector, além de constituir "uma oportunidade de desenvolvimento económico", vai de encontro à obrigatoriedade de Portugal cumprir a directiva da União Europeia que estabelece que, até 2010, cerca de 39 por cento da energia eléctrica consumida no território proceda do aproveitamento de energias renováveis.
O objectivo português no que toca à energia eólica é, no final do prazo indicado, estar a produzir 3750 megawatts, sendo que, para tal, deverá investir nos próximos anos quatro mil milhões de euros (um milhão de euros por MW). Actualmente, o país produz apenas 400 MW.
"Portugal tem este desafio pela frente", lembra Carlos Pimenta, considerando que a "atracção de investimento estrangeiro" será um dos caminhos a percorrer neste âmbito. A fábrica de Viana liderada pela empresa Enercon, líder na Alemanha e segunda a nível mundial, será designada de Enercon Portugal e terá como parceiros a Generg, a Finerg, o Grupo Sonae, o SIIF e a Endesa.
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