A propósito de uma interessante troca de posts no forum do Caldeirão, que registo com satisfação que continua a manter com o CI uma sã concorrência de Qualidade, deixo-vos ficar aqui respingadas algumas passagens do meu post, a propósito do recente anúncio do aumento de capital, para quem quiser comentar...
Concorde-se ou não com as intervenções do JAS e restantes membros do Forum, uma coisa é certa: li esta troca de galhardetes entre todos os trutas com um prazer redobrado, principalmente pela alta qualidade dos argumentos usados, e todos eles são de peso, reconheça-se!
Eu até estou à vontade para comentar distanciadamente esta polémica porque não possuo desde há cerca de 2 anos para cá acções portuguesas em carteira.
Goste-se ou não da gestão do Eng. Jardim Gonçalves à frente do BCP, o que é certo é que a contestação pública cada vez menos encapotada só começou há cerca de 1 ano atrás na altura em que se demitiram 4 Administradores do Grupo, era sinal que algo não andava bem!
Mas já na altura da guerra pela absorção do Mello e pela aquisição do Totta e do Pinto e Sotto Mayor com o Santander fui uma das poucas pessoas que escrevi umas breves linhas a criticar este gigantismo e um "engrandecimento" através de activos muito duvidosos a preços que na altura só foram bons para quem tinha acções das empresas adquiridas, nunca para os accionistas do BCP. Os resultados parecem estar a dar-me alguma razão, para mim era quase como se o F.C. Porto fosse comprar o Paços de Ferreira, que me desculpem os adeptos deste simpático clube, e no final, pois, toca de pagar salários a todos os novos reservistas do Porto que deixaram de ter notoriedade pública para jogar só no campeonato das reservas!
Soube de muitos amigos que trabalharam muitos anos, quase desde a sua fundação, no BCP e que faziam parte da elite do Private Banking, que se sentiram frustrados por recuarem posteriormente na sua carreira para passarem a ter de assegurar tarefas de caixa, confirmação de extractos, formação aos novos empregados bancários vindos dos Bancos adquiridos, mas que deixaram o essencial: o contacto personalizado com o Cliente! Esta renovação de todo o sistema conjunto do Grupo BCP, pondo no mesmo saco o antigo BCP, a Nova Rede, o 7, o Atlântico, o Mello, o Sotto, já nada distinguia o conceito elitista do antigo BCP com clientes seduzidos por serviços individualizados com as bichas globalizadas de qualquer balcão antigo tradicional, e muitos deles sairam, desiludidos...
E que dizer das declarações públicas do Eng. Jardim na altura da aquisição do BPA, desde há vários anos nunca desmentidas publicamente, a não ser no rumo que as coisas tomaram, quanto a alienações de activos que nada tivessem a ver com a Banca? O resultado está à vista: o gigantismo desmesurado e nada adaptado à realidade dos Seguros e Pensões em queda e à procura de algum comprador para parte dos activos, EDPs e ONIs com milhões deitados à rua, compra de Cimpor perto dos 30 Euros por acção, etc, etc, que a minha memória também já esqueceu muita coisa pelo meio. E já nem falo do aliciamento de pequenos accionistas ao balcão, que perderam mais valias significativas, só para poupar uns tostões nos custos de domiciliação da carteira de títulos e nas cenouras de umas décimas percentuais de bónus em taxas de juro de certos créditos pessoais...valeu a pena, perguntaria a cada um desses accionistas?
Mas só falei da imagem e parte da estratégia, degradadas. E quanto àquilo que interessa a todos, à evolução das cotações, para onde caminha o BCP?
Pois cá para mim, qualquer aumento de capital, por muito boa estratégia de rearranjo de rácios financeiros que possa ter, só enfurece cada vez mais os pequenos accionistas a quem se lhes pede mais um esforço financeiro às suas cada vez mais debilitadas economias. Estrategicamente para o Banco será uma operação correcta mas tacticamente acho que só vira cada vez mais accionistas contra a Administração. Mas considero quase irrelevante o resultado deste debate na futura evolução da cotação do BCP.
Tecnicamente o BCP deu sempre sinais de venda claros nestes últimos 3 anos, com pequenos arranques ou ameaços pelo meio, mas a sua hora da recuperação só chegará certamente em condições que não se afastem muito destes cenários: ou quando todos os mercados começarem a sair do bear-market, ou quando soar alguma campaínha de alarme que indique que a determinado nível (será 1.50 ou a 1,40 ou a 1,25 ou a 1,00 Euro por acção?!) poderá haver algum tubarão espanhol, leia-se BBVA ou BSCH, interessado em comprar 20% de Portugal pelo preço da uva mijona?!
Desculpem esta minha intromissão nos campos fundamentais, já que eu sou exclusivamente um analista técnico quando falo em cotações, mas não resisti...
E parabéns pelo nível deste debate, um abraço a todos,
Cem
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