Análise do Ibovespa – Médio Prazo

Olhando para o Ibovespa em moeda local desde 1990, vemos que após o topo histórico da semana do dia 31 de março de 2000, nos 19.046 pontos, entramos em uma tendência de baixa que nos trouxe aos 8.224 pontos na semana do dia 18 de outubro de 2002, uma perda de aproximadamente 57%.
Estes serão os 2 pontos usados para determinar as retrações de Fibonacci. No gráfico semanal pode ser observado que este fundo foi apontado por uma grande divergência positiva do MACD, fato raro em gráficos semanais. Desde então o Ibovespa começou uma subida dentro de um canal ascendente com suporte identificado pela letra N no gráfico.



Hoje o índice está nos 13.618 pontos após recente penetração do topo de uma congestão observada no gráfico diário, com primeiro objetivo nos 14.072, máxima da semana do dia 13 de junho de 2003. Pela frente temos como primeira resistência o retorno de 50% da baixa mencionada acima que está localizada nos 13.636 pontos aproximadamente. Não muito acima se encontra uma LTA de longo prazo formada pelos pontos 1.115 pontos, mínima da semana do dia 20 de novembro de 1992 e 4.797 pontos, mínima da semana do dia 15 de janeiro de 1999, perfurada para baixo na semana do dia 21 de junho de 2002 sendo testada por baixo nas quatro semanas seguintes, nas semanas dos dias 10 de janeiro de 2003 e 17 de janeiro de 2003 juntamente com a resistência do canal ascendente identificado no gráfico pela letra M, a média móvel de 200 semanas e o retorno de 38,2% da baixa mencionada acima, e novamente testada nas semanas dos dias 9, 16 e 30 de maio de 2003.
Essa LTA passa essa semana por volta de 13.850 pontos e pode voltar a oferecer resistência para o índice. Acima desta LTA temos como objetivo os 14.492 pontos, máxima da semana do dia 22 de março de 2002, região onde o índice encontrou resistência por quatro semanas antes de fazer esta máxima. Passada essa região nosso objetivo passa a ser o retorno de 61,8% da baixa mencionada no início da análise e que pode ser o ponto decisivo para continuarmos subindo ou voltar à tendência de baixa anterior.

O retorno está localizado em 14.910 pontos, muito próximo dos 15.000 pontos, o que dá mais força para essa resistência. Os 15.000 pontos funcionam como uma barreira psicológica, visto que muitos acreditam o Ibovespa não romperá em definitivo este valor no ano de 2003.

Deixarei aqui os próximos objetivos acima dos 15.000 pontos caso isso venha a ocorrer. Primeiro objetivo seria a máxima da semana do dia 8 de junho de 2001 nos 15.644 pontos, segundo objetivo a máxima da semana do dia 9 de março de 2001 nos 16.813 pontos e terceiro objetivo nosso topo histórico pouco acima dos 19.000 pontos em 19.046 pontos. Notamos duas resistências acima dos 15.000 pontos, o retorno de 76,4% da baixa mencionada acima nos 16.500 pontos e a LTB de longo prazo formada pelo topo histórico e pelas máximas das semanas dos dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro de 2001 localizada hoje aproximadamente em 15.560 pontos (-20.4 por semana).

Vejamos agora os suportes para o índice. Para baixo demos uma LTB de médio prazo vencida na semana do dia 9 de maio desse ano e usada como suporte na semana do dia 27 de junho e na semana seguinte também. Abaixo da LTB temos a média de 21 semanas localizada hoje em 12.595 pontos, o retorno de 38,2% da baixa mencionada no primeiro parágrafo localizado nos 12,360 pontos, ponto que foi resistência nas semanas dos dias 17 de janeiro, 11, 17 e 25 de abril, a média móvel de 200 semanas hoje em 12.163 pontos e o suporte do canal ascendente indicado no gráfico que passa hoje por 12.120 pontos (+101.3 por semana). Abaixo do suporte do canal temos como suporte a média móvel de 55 semanas hoje em 11.950 e uma última LTA de longo prazo definida pelas mínimas das semanas dos dias 11 de setembro de 1998 aos 4.575 pontos e 15 de janeiro de 1999 aos 4.797 pontos, confirmada pela mínima da semana do dia 18 de outubro de 2002 aos 8.224 pontos. Essa LTA passa hoje pelos 9.210 pontos (+19.62 por semana).

Vejamos o Candle dessa semana agora. Como pode ser visto no gráfico, esta semana teve abertura nos 13.272 pontos, mínima de 13.272 pontos e por enquanto máxima nos 13.618, que foi o fechamento de terça, antes do feriado hoje. Por enquanto está se formando um Marobozu, no caso um Marobozu de alta, que é um Candle altista que abre muito próximo ou na mínima e fecha muito próximo ou na máxima e implica em novas altas. O único problema é o volume, que por causa do feriado no meio da semana, foi bem abaixo da média o que pode prejudicar a validade do padrão.

O índice vem fazendo topos e fundos progressivamente mais altos, típico padrão altista. Para continuarmos em tendência de alta, o próximo topo deve ser acima dos 14.072 pontos, que foi o topo anterior. Qualquer topo abaixo disso pode indicar fraqueza na tendência e se um fundo for formado abaixo dos 12.893 pontos seguido de um topo abaixo do anterior estaríamos entrando em um padrão de tendência baixista.

Vamos aos indicadores agora. O Ibovespa continua acima da média móvel de 21 semanas que é um sinal positivo para os preços. O Oscilador Estocástico se encontra mais próximo da região sobre-vendido e está virando para cima. Por estar na região intermediária não podemos usar isso como sinal de compra, mas ele pode estar indicando que a alta começa a ganhar força novamente. O Movimento Direcional (MD) continua comprado (desde o dia 7 de março desse ano), o -DI virou para baixo, o +DI virou para cima podendo voltar a ficar acima do ADX também mostrando que a alta estaria ganhando força.
O Índice de Força Relativa (IFR) virou para cima e está próximo da região sobre-vendido. Devemos prestar atenção nesse indicador, ele é considerado um indicador líder e pode gerar sinais antes dos preços. No topo anterior o IFR atingiu a região sobre-vendida em 70.87 e no caso de outro topo estar sendo formado poderemos ter uma divergência caso o IFR chegue a ficar sobre-vendido abaixo dos 70.87. Normalmente em uma forte tendência de alta, tanto o IFR, como o Estocástico podem permanecer por muito tempo na região sobre-vendido gerando sinais falsos de venda, quando isso ocorre mostra um mercado altista muito forte, e por isso deve-se ter cuidado e usar outros indicadores para se tomar decisões. O MACD está na região positiva e começava a cair após o último topo nos 14.072 pontos indicando baixa, mas voltou a ticar para cima com as altas no início dessa semana mostrando que a alta pode estar ganhando força, porém se ao final dessa semana o mercado realizar lucros o MACD continuará indicando baixa.

Para os próximos meses acredito que continuaremos em alta se notícias positivas tanto internas como externas aparecerem, porém também acredito na possibilidade de ocorrer um teste do suporte do canal ascendente e do objetivo da cunha ascendente formada no gráfico diário por volta dos 12.500 pontos antes da alta retomar força. No cenário interno a queda da inflação abre espaço para cortes mais significativos nos juros na próxima reunião do COPOM nos dias 22 e 23 desse mês, entretanto as dificuldades que o governo vem enfrentando em relação à Reforma da Previdência podem deteriorar o cenário.
Teremos pela frente também os resultados trimestrais das empresas, que influenciam os movimentos do índice. No cenário externo o que pode influenciar é a expectativa sobre a melhora da economia mundial.

Bons trades.
Fernando Muniz
Tacobell