Depois de perceber que o Chairman do Fed, Alan Greenspan, está a cuidar da nossa vida, este bullmarket não me escapa mesmo. Não há perigo de deflação, estamos naquele célebre 2º. Semestre, em que os corporate earnings vão subir e há-de haver gastos de consumo e de investimento a torto e a direito. Não pode falhar!

A minha disposição é imparável, dando uma vista de olhos aos yields, compro bonds na Europa, treasuries nos States, equities em todo o lado. Orgulho-me de não ter qualquer receio de bolhas, pois se é para subir contem comigo!

Poderão perguntar-me se as valuations não estarão exageradas? E eu respondo: meus caros amigos, num mercado que está a subir, o que interessa são os inflows e o momentum, nada mais. E não se deixem dominar pelo medo, mas por favor tenham alguma ganância. Ou vice-versa, que também serve.

E eu ainda por cima diversifico esplendidamente. Por exemplo, também estou nas currencies, nos crosses mais importantes. O EUR/USD então enche-me as medidas, posso estar bull umas vezes no euro outras no dólar, a volatilidade é tanta que as tendências fortes não são beliscadas por profundas correcções. Só não gosto é de lateralizações com um range muito estreito. Já se for uma boa consolidação, isso é sempre bem vindo, pois a seguir é andar para a frente a todo o gás.

E o ouro, prata e afins? Há quem diga que se trata da quimera do ouro e da ilusão permanente da prata? Estão enganados!! Isso é não conhecer os fundamentais da economia e os valores permanentes a que nos podemos agarrar. Portanto, o bullion, os metais preciosos em barra, será um remédio para os dias menos bons, ou até para ter alguma base seja o que for que aconteça.

Outra coisa que aprendi é a ter flexibilidade. No caso de uma enxaqueca do Sr. Greenspan, meto logo a agulha para os curtos, mas tem de ser uma coisa a valer, do género breakdown com bastante volume. Mesmo aí ninguém me agarra, pois estou sempre atento aos contrarian indicators e às negative divergences. É que nisto dos mercados financeiros, temos de deitar mão a todos os instrumentos.

Mas, em contrapartida, há commodities que constituem grandes oportunidades. Por exemplo, nos futuros e opções de crude oil, copper, cattle, sugar, grains, e o mais envolvente de todos, cocoa, é tudo óptimo: não é preciso perceber nada destes sectores económicos, basta entrar nas alturas certas e ler bem os gráficos que o dinheiro entra às carradas!! Eheheh … Fácil, não é?

No meio desta valente artilharia que eu, sem dó nem piedade, disparo em todas as direcções, há por vezes (e a situação é completamente excepcional) alguns cuidados a ter. Por exemplo, os soybeans e o coffee são verdadeiramente demoníacos. Sabe-se exactamente qual é o padrão técnico das suas cotações ao longo do ano. Pois mesmo assim, só traders profissionais especializados conseguem ganhar dinheiro aqui. É realmente um mistério que, rapidamente, vou ter que desvendar.

E não me levem a mal, não pensem que é a vaidade que me faz falar. Pelo contrário, estou a contar aspectos que decerto interessam a toda a gente, aproveitando para me livrar do stress acumulado, pois estou em operações financeiras globais de alto nível, mesmo de cortar a respiração.

Tenho, é certo, por vezes alguns momentos de cansaço. É nessas alturas que, para descontrair, invisto em derivativos especiais. Deste modo, para relaxar mesmo, nada melhor do que um bom ratio option spread, que assim o tempo não custa a passar, é como beber um shake de rum, cola e canela, numa praia escondida das Pequenas Antilhas.

E não julguem que eu só falo de mercados estrangeiros. Não senhor! Por exemplo, a EDP não me escapou e acho que ainda me vai dar mais alegrias. Estas utilities são deliciosas! Já com os bancos, é preciso estar sempre de pé atrás. Até o BPI se lembrou de quebrar o suporte depois de uma vigorosa trend ascendente de largos meses. Lá tive de fazer um profit taking, o que é que se há-de fazer. Por outro lado, tenho warrants de todas as qualidades e feitios, alguns completamente out-of-the-money e com deltas insignificantes. Penso que, para estes últimos, a culpa só pode ser do market maker!

E assim vou continuar completamente dedicado ao trading, sempre picking the best e mantendo a necessária downside protection. Não há nada melhor do que, dominando o Big Picture, fazer um bom position trading com o indispensável money management.

Um abraço e bons negócios

Comentador


Nota importante
Este texto não pretende reflectir a opinião do seu autor. Tem como objectivo tentar explicar um pouco a realidade sob a luz da simples ironia. Por outro lado, qualquer operação que um leitor desprevenido decida ensaiar, com base nas observações acima expressas, não o tornará certamente famoso, antes o deverá levar directamente à falência.